Semana de quatro dias ganha força nos Açores
Oito em cada 10 trabalhadores que testaram a semana de quatro dias no Governo dos Açores atribuíram à experiência uma classificação entre 8 e 10 valores, sendo que 89% gostariam que o modelo continuasse.
Em média, os trabalhadores concederam aos quatro dias um valor equivalente a 36% do seu salário.
A experiência colhe a nota mais elevada entre as mulheres e os trabalhadores mais velhos.
Estas são as principais conclusões do projeto-piloto da Semana de 4 Dias (S4D) na Administração Pública Regional dos Açores, apresentado ontem ao final do dia e cujo relatório final o Jornal Económico leu.
“Entre as 182 métricas objetivas utilizadas para avaliar a produtividade, mais de 60% apresentaram uma evolução favorável face ao período homólogo, enquanto apenas 20% registaram uma diminuição”.
O piloto envolveu 398 trabalhadores de 14 entidades da Administração Pública Regional e foi coordenado por Rita Fontinha, professora na Henley Business School, Universidade de Reading, e cocoordenado por Pedro Gomes, professor em Birkbeck, University of London, que liderou o projeto de 2023 no setor privado em Portugal .
Creche lisboeta ganha batalha do absentismo e mantém semana de quatro dias O Governo da AD, liderado por José Manuel Bolieiro quis perceber o impacto dos quatro dias na produtividade e na satisfação dos trabalhadores, sem beliscar a qualidade do serviço prestado a pessoas e empresas. ”O projeto demonstra que uma redução moderada do tempo de trabalho é compatível com a manutenção ou melhoria da produtividade e dos serviços públicos, produzindo simultaneamente benefícios expressivos para o bem-estar e a conciliação”, pode ler-se no relatório.
A manutenção da produtividade é explicada em parte pela redução do absentismo.
O número de dias de ausência por trabalhador caiu 15%.
“Esta redução do absentismo compensou quase 20% da diminuição das horas trabalhadas no grupo de tratamento”, adianta.
Nos ganhos de produtividade sobressaem um aumento do número de processos concluídos, um melhor cumprimento dos prazos, uma maior regularidade de procedimentos e um reforço da capacidade de resposta.
Os efeitos “mais evidentes e consistentes” verificam-se nas áreas do bem-estar e da conciliação.
Na balança trabalho/família, os trabalhadores que reportavam dificuldades caíram de 34% para 17% e no equilíbrio trabalho/vida pessoal, a redução foi de 31% para 18%.
A melhoria da satisfação com a vida e a saúde física e mental decorre do aumento do tempo de sono e da prática de exercício físico.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.