Quando um passo atrás é, na verdade, um passo em frente
“Este candidato é demasiado qualificado para a função.” Poucas expressões dizem tanto sobre a forma como as empresas encaram o talento.
Embora seja uma preocupação comum no recrutamento, muitas vezes esconde um pressuposto discutível: o de que alguém com mais competências ou experiência do que a função exige será inevitavelmente um problema.
Na maioria dos casos, o receio é conhecido.
A empresa teme que a pessoa saia rapidamente, procure crescer mais depressa do que a organização consegue acompanhar, face à função e/ou estrutura organizacional, ou acabe frustrada pela dimensão do desafio.
Mas experiência não significa necessariamente ambição desmedida.
Significa, por vezes, apenas prioridades diferentes.
Há profissionais que procuram funções com menor pressão/responsabilidade, um ambiente mais alinhado com os seus valores, maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal ou simplesmente um novo começo.
As carreiras deixaram de seguir percursos lineares.
Hoje são feitas de mudanças, pausas, reinvenções e escolhas conscientes.
Por isso, quando um candidato experiente demonstra interesse genuíno por uma oportunidade, a questão não deveria ser apenas “Porque se está a candidatar?”, mas também “Estamos a compreender as suas motivações?”.
A sobrequalificação raramente é o verdadeiro desafio.
O desafio é garantir transparência.
Se a função tem um âmbito fechado, poucas perspetivas de evolução ou uma estrutura menos complexa, isso deve ser comunicado claramente.
Profissionais experientes sabem avaliar o impacto das suas decisões.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.