Primeiros namoros. Falar com o filho ou esperar que conte?
A maioria dos estudos sobre relações românticas na adolescência aponta para os 13 aa 15 anos como a faixa etária mais comum para os primeiros namoros. Alguns estudos mostram também que os adolescentes não escondem necessariamente o namoro, mas escolhem cuidadosamente o que contam: tendem a falar sobre quem é o namorado ou namorada e sobre a relação, mas pouco sobre intimidade e sexualidade.
No entanto, aquilo que cada um partilha ou não com os pais varia conforme a relação que existe e foi sendo construída até aí. “Um adolescente que construiu um vínculo seguro face aos seus cuidadores tende a sentir-se mais confortável a partilhar informação sobre a sua vida amorosa, precisamente porque já experienciou ao longo da vida que a proximidade com os pais não é ameaçadora, nem controladora”, diz a psicóloga clínica e psicoterapeuta Sílvia Coutinho. Pelo contrário, acrescenta, se os pais até aí “reagiram com ansiedade excessiva ou intrusão face a outras partilhas (como notas escolares, dificuldades ou amizades)”, o adolescente poderá ter aprendido a não procurar essa proximidade, por antecipar uma resposta pouco empática.
Apesar destas diferenças, quando os pais percebem que existe uma relação amorosa, “o silêncio total poderá ser lido pelo adolescente como desinteresse, mas, por outro lado, o confronto direto e excessivo poderá ser interpretado como intrusão” pelo que o ideal é uma abordagem que se situe a meio caminho este estes dois extremos.
Com os primeiros namoros vêm também os primeiros desgostos amorosos, que podem ser muito intensos e esta é outra preocupação dos pais. “Embora o corpo do adolescente já tenha crescido muito, o córtex pré-frontal ainda se encontra em processo de maturação. Isto significa que, nesta etapa do neurodesenvolvimento, as emoções são vividas com uma intensidade genuinamente maior, e a capacidade de as regular ainda está em construção.”
Quando há zangas ou ruturas que fazem o adolescente sofrer, frases como “isso passa” podem fazê-lo sentir-se sozinho e incompreendido. A postura ideal nestas ocasiões passa, por um lado, por “validarem as emoções do seu filho”, disponibilizando-se para ouvir e conversar e, ao mesmo tempo, “estar atento e ajudar a ir mantendo as rotinas básicas, como o sono, a alimentação e as idas à escola.” Não é preciso apressar o jovem a “ultrapassar” o desgosto ou a concluir o luto amoroso antes de estar preparado.
Para equilibrar a segurança dos filhos com a sua autonomia, Sílvia Coutinho deixa algumas sugestões:
Mental é uma secção do Observador dedicada exclusivamente a temas relacionados com a Saúde Mental. Resulta de uma parceria com o Hospital da Luz e tem a colaboração do Colégio de Psiquiatria da Ordem dos Médicos e da Ordem dos Psicólogos Portugueses. É um conteúdo editorial completamente independente.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.