"Ninguém viu os sacrifícios." Samu voltou 223 dias depois
Instantes antes do minuto 85, sem que nada de extraordinário estivesse a acontecer dentro de campo, as bancadas do Dragão levantaram-se. Samu, afastado dos relvados desde fevereiro, estava prestes a regressar — e os pouco mais de cinco minutos que cumpriu no clássico contra o Benfica foram suficientes para mostrar que quase nada mudou.
Apesar de já ter entrado numa fase em que o jogo estava congelado e atípico, sem que nenhuma das equipas tivesse propriamente capacidade para desenhar uma jogada com princípio, meio e fim, Samu ainda foi a tempo de celebrar uma recuperação de bola como se de um golo se tratasse, de punhos cerrados e com os típicos gritos que o tornam uma figura única no futebol português. Depois do apito final, em declarações ao Porto Canal, mostrou-se obviamente satisfeito pelo regresso após sete meses de ausência.
“Foi como sonhei. Foi uma caminhada muito longa. Ninguém viu os sacrifícios que fiz, ao treinar todos os dias sem férias. Quando queremos alguma coisa temos de lutar por ela. A minha ideia foi clara, queria voltar o melhor e o mais rápido possível. Tenho de agradecer à equipa médica. Foi muito especial voltar neste jogo, estou muito contente”, começou por dizer o avançado espanhol, que sofreu uma rotura total do ligamento cruzado anterior do joelho direito em fevereiro, num jogo contra o Sporting a contar para o Campeonato.
“Fiz muitos sacrifícios. Sabia que a prioridade era recuperar bem, mas se pudesse recuperar mais rápido seria melhor ainda. Não estava previsto jogar este jogo, mas correu tudo bem. A equipa médica deu luz verde e eu pude jogar”, acrescentou Samu, que só tinha regresso agendado para daqui a um mês, mas acabou por conseguir voltar aos relvados mais cedo depois das boas indicações num particular recente contra a Académica, no Olival e onde até marcou um golo de livre direto, sendo que agora tem duas semanas de pausa para os compromissos das seleções nacionais em que poderá continuar a melhorar os índices físicos.
Uma publicação partilhada por Samuel Omorodion Aghehowa (@samuaghehowa9)
Mais à frente, Samu também agradeceu o apoio dos adeptos. “O apoio deles foi muito importante para a minha recuperação. A forma como me receberam foi muito gratificante e vai ficar para sempre no meu coração. Sempre que os vejo na rua sinto o apoio deles e estou-lhes muito agradecido por isso”, vincou, deixando ainda um agradecimento mais espiritual. “Deus sempre foi muito importante na minha vida. A minha mãe educou-me assim. Tudo o que faço é por Deus. Ele sabe tudo pelo que passei para poder voltar a jogar neste campo. Sem Ele não poderia estar aqui. Ele dá-me força todos os dias para me levantar”, terminou o avançado, que não escondeu a emoção ainda em campo, depois do final do jogo.
Mais tarde, nas redes sociais, Samu voltou a sublinhar a importância do regresso e lembrou o longo tempo de paragem. “223 dias depois… De volta ao lugar onde sempre quis estar. Obrigado a Deus por me ter sustentado ao longo de todo este caminho tão difícil.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.