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Tragédias também se "comemoram"? O caso do 11 de setembro

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Tragédias também se "comemoram"? O caso do 11 de setembro

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

"Português Suave", sempre na Rádio Observador, edição de domingo com o João Costa e Silva e também com o Marco Neves.

Durante o último mês estive em falta, andei a fazer o programa mais à distância.

Sim, mas pronto. Cá estou outra vez. Eu gosto muito de estar no estúdio, gosto muito de rádio. E cá vamos falar sobre notícias. O que aconteceu nesta última semana. Aconteceu muita coisa, mas vamos falar de uma notícia já com 25 anos, do 11 de setembro, e depois vamos avançar por aí fora, incluindo aqui uma grande mensagem que recebemos de um ouvinte que eu gostava muito de ler e de comentar. E vamos então avançar pra língua das notícias. Devo dizer que eu disse a língua das notícias, mas é a língua nas notícias.

Tivemos o 25º aniversário do 11 de setembro. É daqueles acontecimentos que quem estava vivo nessa altura sabe onde é que estava naquele momento, quando ouviu falar do que aconteceu.

Lembro. Eu ia fazer 21 anos dias depois, ainda tinha 20, mas lembro-me muito de telefonar à minha mãe. Ela estava na escola de primeiro ciclo. Nós já tínhamos telemóveis, mas minha mãe não tinha telemóvel na escola. Já não me sento bem, nesse aspecto, em que ponto é que estávamos, mas lembro que telefonei pra escola mesmo, pro telefone fixo, a dizer que queria falar com minha mãe, a dizer: "Os Estados Unidos estão a ser atacados, nós não sabemos". E ela ficou em pânico, mandou todas as pessoas da escola pra casa, ninguém ficou na escola. Foi um dia um pouco triste e diferente. Aproveito, já que estamos a falar de ser triste e diferente, eu já ouvi várias vezes a dúvida da palavra comemoração, porque às vezes as pessoas dizem que na sexta-feira comemoramos o 11 de setembro. E há pessoas que ficam incomodadas.

Pelo fato de ser algo mau e estarmos a fazer uma comemoração. Eu, por acaso, penso muitas vezes nisso e digo "assinalamos".

Assinalamos, mas a comemoração não é um problema, eu vou te explicar porquê.

Comemoração vem de comemorar, ou seja, recordar em conjunto, ter uma memória conjunta. Não tem necessariamente que ser uma coisa positiva. Nós podemos comemorar a morte de alguém e por mais estranho que isto pareça.

Mas, neste caso, o comemorar. Tal como há palavras que ganham conotações negativas, a comemoração começou a ganhar uma conotação positiva. Nós comemoramos alguma coisa positiva.

Até porque há essa perceção das pessoas. Ou seja, se eu em rádio disser: "Vamos comemorar os 25 anos do 11 de setembro", as pessoas vão achar do gênero: "Mas vais comemorar o quê? Estamos a falar de um acontecimento..."

É como ilusão. A palavra ilusão, acho que já falamos dela aqui, ganhou uma conotação negativa em português. Nós dizemos que uma pessoa iludida ou uma pessoa com ilusão é uma pessoa que está enganada, enquanto que a mesma palavra, em castelhano, ganha uma conotação positiva. Uma pessoa com ilusão, "ilusion", está com esperanças, acha que vai conseguir fazer aquilo que tem pra fazer e é normal que o faça.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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