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UE/Cimeira: Governo diz que compras conjuntas de energia “não são solução” para crise

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UE/Cimeira: Governo diz que compras conjuntas de energia “não são solução” para crise

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, considerou hoje 15 de outubro que compras conjuntas de energia na União Europeia (UE) “não são solução” para a crise energética relacionada com as tensões no Médio Oriente, e criticou o sistema europeu de formação dos preços.

“Nós vamos aguardar a discussão, mas deixe-me dizer-lhe que a compra conjunta não é a solução para o problema e vou explicar até isso muito simplesmente com a nossa própria situação”, disse Luís Montenegro, falando à chegada à reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas.

O chefe de Governo explicou que Portugal não compra “produtos provindos daquela geografia do Médio Oriente”, tendo antes como fornecedores “sobretudo o Brasil, a Argélia, também a Nigéria e os Estados Unidos”.

“Nós não estamos dependentes daquilo que se passa naquela região, mas nós somos igualmente afetados por isso, nós e todos aqueles que têm uma situação igual à nossa, portanto o problema não está na compra, o problema está em primeiro lugar na instabilidade e no funcionamento hoje dos mecanismos de formação do preço”, criticou.

Os líderes da UE começam hoje em Bruxelas uma reunião de dois dias do Conselho Europeu para debater novas medidas para conter os preços da energia e avançar nas negociações do próximo orçamento comunitário, tendo ainda na agenda o apoio financeiro à Ucrânia.

Montenegro reconheceu que não existe, para já, uma solução definida para a crise, considerando que a situação é complexa e que o atual mecanismo de formação dos preços surgiu na sequência das crises energéticas da década de 1970.

“Este mecanismo tem as suas virtudes, mas tem neste momento uma perversão que é esta de estarmos todos a pagar o efeito criado, sobretudo ao nível da expectativa futura, sobre uma instabilidade que está a ser conscrita numa determinada geografia”, afirmou.

O chefe do Governo defendeu, por isso, uma resposta que permita mitigar os efeitos do mecanismo de formação dos preços e reduzir o peso da componente especulativa dos mercados financeiros e dos mercados de futuros, que considerou determinante na evolução dos preços da energia.

“Alguma coisa deve ser feita do ponto de vista diplomático, económico e também estratégico para poder diminuir estes impactos e é essa discussão que nós estamos abertos a poder fazer”, referiu.

Em relação às medidas de apoio, o primeiro-ministro admitiu que, numa fase inicial e perante uma crise de duração limitada, os Estados-membros possam adotar respostas nacionais diferenciadas para enfrentar a subida dos preços.

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