França pressiona Autoridade Palestiniana para reverter adiamento eleições
A França, um dos principais apoiantes da Autoridade Palestiniana, pediu hoje aos seus líderes que "revertam a decisão" de adiar as eleições parlamentares e presidenciais para setembro de 2027 e que organizem as duas votações "o mais rapidamente possível".
Em comunicado, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês considera que o adiamento "priva mais uma vez o povo palestiniano do seu direito de se expressar democraticamente através do voto".
O líder da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, marcou no sábado eleições presidenciais e legislativas simultâneas para 11 de setembro de 2027.
As eleições parlamentares, parte das reformas exigidas à Autoridade Palestiniana pela comunidade internacional, incluindo da União Europeia, estavam originalmente agendadas para 28 de novembro de 2026, enquanto as presidenciais eram esperadas para o início do próximo ano.
Em reação ao adiamento, o porta-voz da diplomacia de Paris disse que "é urgente" devolver aos palestiniano a sua voz e "permitir que escolham os seus representantes através de eleições livres e transparentes, como prometeu o Presidente [Abbas]".
As últimas eleições legislativas na Palestina foram realizadas há 20 anos e chegaram a estar previstas em 2021, mas foram adiadas.
Os líderes palestinianos têm alegado fortes restrições israelitas à votação em Jerusalém Oriental ocupada, a que se adicionou entretanto a guerra na Faixa de Gaza.
Em comunicado, a presidência palestiniana justificou que o novo calendário foi decidido devido aos "obstáculos impostos pelas medidas israelitas que impedem a realização das eleições na data originalmente prevista, bem como à necessidade de criar condições políticas, de segurança e práticas adequadas para garantir eleições livres, justas e inclusivas".
O Ministério dos Negócios Estrangeiros francês avisa, no entanto, que " renovação democrática palestiniana é indissociável da preservação da solução de dois Estados, à qual a França continua firmemente empenhada".
A França foi um dos dez países ocidentais, ao lado do Reino Unido, Canadá e também Portugal, que reconheceram o Estado da Palestina em setembro de 2025, numa vaga diplomática em plena guerra na Faixa de Gaza e aumento da violência na Cisjordânia ocupada, apesar dos protestos de Israel.
A diplomacia francesa insiste que as votações implicam o respeito dos "princípios democráticos que são o próprio fundamento do Estado da Palestina", bem como a capacidade dos líderes palestinianos de "levarem por diante, com renovada legitimidade, as aspirações do povo palestiniano por dignidade, liberdade e autodeterminação".
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