No Brasil duplicaram os assassinatos de ativistas ambientais, mas os candidatos à presidência não querem saber do ambiente
Lula defendeu na ONU a preservação ambiental e a continuidade da exploração petrolífera, o único entre os principais candidatos com propostas climáticas estruturadas.
Embora nenhum dos candidatos aborde o Super El Niño já em curso, que traz seca a 10% do país.
Este vazio político coincide com um recorde de licenciamentos ambientais, um aumento de… Na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, o presidente brasileiro, Lula da Silva, tentou conciliar dois discursos normalmente antagónicos, o da preservação ambiental e o da continuidade da exploração petrolífera.
Lula afirmou que o Brasil “conquistou a autossuficiência em petróleo” e que continuará a pesquisar o potencial de novas reservas, nomeadamente na chamada margem equatorial, uma área ambientalmente sensível cujo licenciamento já gerou um processo atribulado e contestações judiciais por parte de organizações ambientalistas.
Ainda assim, garantiu não renunciar à agenda ambiental, invocando a redução do desmatamento sob o seu governo, o chamado Mapa do Caminho para o fim dos combustíveis fósseis, promessa nascida do desfecho tenso da COP30, realizada em Belém no ano anterior, lembra a Folha de São Paulo , e reivindicou para o Brasil “autoridade moral” para rejeitar aquilo que classificou como medidas protecionistas disfarçadas de preocupação ambiental, numa alusão às tarifas impostas pelos Estados Unidos que citaram o desmatamento como justificação.
Esta ambiguidade entre discurso verde e aposta petrolífera reflete-se, de resto, na própria corrida presidencial brasileira, que decorre este ano num contexto de recordes climáticos globais e nacionais, mas onde o ambiente praticamente desapareceu do debate eleitoral.
Segundo um levantamento do Observatório do Clima, dos seis principais candidatos ao Planalto, apenas Lula apresenta um programa de governo minimamente estruturado sobre clima e ambiente, com metas como zerar o desmatamento líquido até 2030, eletrificação do transporte público e substituição progressiva de combustíveis fósseis, ainda que o mesmo plano, alerta a Folha de São Paulo, exalte os recordes de produção de petróleo e gás, numa contradição que o próprio Observatório assinala.
Flávio Bolsonaro (PL), principal opositor de Lula nas sondagens, nem sequer reconhece a existência de uma crise climática, propõe ampliar a infraestrutura de petróleo e gás e admite a possibilidade de fracking , técnica contestada pelos riscos que representa para os recursos hídricos e atualmente em discussão no Superior Tribunal de Justiça.
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