Rússia acusa EUA de apoiarem "revanchismo" japonês na reivindicação sobre Curilas
A diplomacia russa acusou hoje os Estados Unidos de fomentarem "revanchismo" japonês apoiando a reivindicação de Tóquio sobre as ilhas Curilas do Sul, após a primeira visita do Presidente Vladimir Putin ao arquipélago ocupado pela Rússia em 1945.
Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, reagiu hoje em comunicado às declarações do embaixador norte-americano em Tóquio, George Glass, que enfatizou na quinta-feira, na rede social X, que Washington "mantém uma posição inabalável no seu apoio ao Japão, o seu aliado mais importante, e no reconhecimento da sua soberania sobre as disputadas ilhas".
Glass enfatizou também a oposição conjunta de Washington e Tóquio a "qualquer ação que prejudique a paz e a estabilidade da região".
"Tais declarações de um diplomata norte-americano apenas encorajam o revanchismo e o revisionismo japoneses, que estão a causar crescente inquietação em praticamente todos os vizinhos do Japão", realçou Zakharova.
A diplomacia russa enfatizou que "a soberania e a jurisdição da Rússia sobre as ilhas não podem ser questionadas", invocando que os próprios Estados Unidos aprovaram a anexação das ilhas Curilas como território russo após a Segunda Guerra Mundial.
A Rússia apresentou hoje um forte protesto ao embaixador japonês, Akira Muto, lembrando que a soberania russa sobre as Curilas, reivindicadas por Tóquio, é "inviolável".
"Qualquer tentativa por parte do Japão de questionar, direta ou indiretamente, esta realidade evidente é inaceitável e ilegal", refere o comunicado oficial.
O vice-ministro russo das Relações Exteriores, Mikhail Galuzin, também manifestou o seu "forte protesto" a Muto acerca de declarações "antirrussas" de líderes japoneses após a visita de Putin à região conhecida como Territórios do Norte do Japão.
Galuzin advertiu ainda o embaixador de que as autoridades russas se reservam o direito de tomar "contramedidas apropriadas" pelo apoio do Japão à Ucrânia e pelas sanções ocidentais contra a Rússia.
Segundo o Kremlin, Putin reuniu-se em 13 de agosto com os habitantes da ilha de Iturup (com uma população de aproximadamente 7.000 pessoas), onde lhes pediu que homenageassem aqueles que morreram na operação de setembro de 1945, a última grande batalha do Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial.
O governo japonês protestou prontamente contra a visita de Putin à maior das ilhas Curilas (conhecida como Etorofu no Japão).
Tóquio convocou o embaixador russo, Nikolai Nozdiev, a quem o ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Toshimitsu Motegi, apresentou um "forte protesto".
Entretanto, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, classificou a viagem de Putin como "absolutamente inaceitável", sublinhando que "feriu os sentimentos do povo japonês e é completamente inaceitável".
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