Finalmente, adultos na sala! A partir de duas declarações em Marrocos
Manda a tradição alauita, que o início do novo ano parlamentar, aconteça, ano após ano, a cada segunda sexta-feira, do mês de outubro, da Graça do Senhor.
Do de lá e do de cá, que somos todos abraâmicos! Nada tradicional, foi ver, na semana anterior, a 2 de outubro, o embaixador Luís Faro Ramos, de Portugal em Marrocos, “dar baile” a todos que o precederam no cargo, numa entrevista, no plateau do Telejornal em francês, do Canal Al Aoula .
Porquê? Porque o inchallah , já lhe sai com a naturalidade de um “pá”, durante o pergunta-resposta, cujos vastos esclarecimentos, apresentam finalmente a “oportunidade marroquina”, enquanto estratégico nacional, dos pneus e rolamentos, ao pepino e à prateleira do super, da “betoneira de gás” à espreguiçadeira na praia.
Tudo, com o veludo do fado, como música de fundo.
O cultural também será surpreendente, mas o que realmente surpreendeu neste 2 de outubro, foi registar uma visão, uma dimensão, “mais densa, mais visível e baseada em acções concretas”, resumo da “missão Faro”, até 2030, por terras de sua majestade.
E esta nova postura, ancorada nos objectivos comuns para 2030, o Mundial, tem o nome de “Diplomacia 360º”, ancorada no “passado, presente e futuro”, mais a excelente sintonia que tem, com o seu homólogo em Lisboa, o embaixador Othmane Bahnini.
Dar nome a uma política, a uma diplomacia, é dar-lhe forma e substracto, demonstrativo também, que se pensou e debateu o assunto, enquanto prioridade.
Aqui está a guitarra no colo, e o nosso embaixador tem unhas! Uma semana depois, a 9 de outubro, na sexta, portanto, na sessão inaugural do Barlaman , o rei Mohamed VI, colocou “o dedo na ferida”, ao abordar o tema migrações, assumindo que o actual modelo de cooperação e controlo, está esgotado, deixando claro também que este é o momento de debater e reformular todos os procedimentos.
Para breve, ficou prometida a apresentação da proposta marroquina, e o debate seguir-se-á.
Palavra de Rei! Este discurso, também dá a seguinte certeza a quem tem Marrocos na lupa, há décadas.
Indica-nos que há um “ timing magrebino”, que é preciso perceber e descodificar, além de respeitar.
Em maio de 2021, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Marrocos, Nasser Bourita, bateu com a porta, dizendo alto e bom som: " Le Maroc n’est ni le gendarme ni le concierge de l’Europe !" Cinco anos depois, o rei também tem o alaúde ao colo e também tem unhas para o tocar.
É esta a importância do lúdico chamado futebol, para alavancar o institucional e complicado, tendo por fundo a contagem decrescente do barulho das luzes.
Vai correr bem, inchallah , pá! Escreve de acordo com a antiga ortografia
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