Afetados desesperam por respostas 3 meses após sismo na Venezuela
À região chegou ajuda humanitária enviada por vários países e organizações e embora tenham sido distribuídos bens de primeira necessidade, artigos de higiene pessoal e até medicamentos, há famílias afetadas que continuam à espera de assistência social.
"Em segundos tudo, tudo desabou. Perdemos vizinhos e amigos, e alguns também os familiares. Damos graças a Deus porque ficámos vivos, mas tudo parece um pesadelo que ficou congelado no tempo. Para onde olhamos, tudo nos lembra o que aconteceu, precisamos de ajuda para poder superar e para avançar", desabafou um afetado à agência Lusa.
Emanuel Blanco residia em Praia Grande, perto da capital, Caracas, uma localidade que não quer deixar porque lhe disseram que vão ser dados apoios do Estado para refazer as suas vidas.
"Somos três pessoas na família e estamos [praticamente] sozinhos. Sem ajuda, não conseguiremos retomar as nossas vidas. Tenho medo de abandonar a zona porque posso perder essa oportunidade, mas já passaram três meses, ainda estão a demolir os prédios e não sei quanto tempo mais terei de esperar. Aqui não há emprego e sobreviver assim é difícil", disse.
Frisou que "apesar de às vezes chegarem bolsas com algumas ajudas, são precisas soluções duradouras, habitação, médico e acesso a serviços básicos".
Em contraste,com a situação em Praia Grande, vários residentes de Catia La Mar, que pediram para não ser identificados, referiram que têm familiares cujos prédios foram visitados por engenheiros estatais e incluídos em programas de recuperação.
"As pessoas pensam que o Governo vai dar dinheiro para reconstruir, mas não. Uma vez inspecionados os edifícios que se podem recuperar, ficam em lista para reparar, depois chegam as equipas com os materiais e executam as obras", disse um dos sobreviventes à Lusa.
O duplo sismo de 24 de junho, com magnitudes de 7,3 e 7,5, causou danos graves em infraestruturas (habitações, escolas, centros de saúde e espaços comunitários), feridos e vítimas mortais em sete estados da Venezuela: Caracas, Miranda, Arágua, Carabobo, Lara, Yaracuy e La Guaira, este último o mais afetado.
Nos dias posteriores ao sismo, organizações internacionais e de solidariedade de vários países enviaram ajuda humanitária de emergência que incluiu alimentos, medicamentos, produtos de higiene, água, ferramentas e materiais de reconstrução.
A ajuda enviada de Portugal foi uma das que teve mais visibilidade. A Cruz Vermelha Portuguesa mobilizou uma campanha humanitária e organizou uma recolha de ajudas.
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