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O triunfo dos porcos. Ou seja: nós!

Observador ·
O triunfo dos porcos. Ou seja: nós!

Este mês, em Trás-os-Montes, centenas de pastores protestaram contra o Governo, que estará a engonhar os subsídios pelos ataques de lobos a vacas e ovelhas. Os refilões usavam t-shirts com a inscrição: “Lobos protegidos, produtores falidos”. Aparentemente, Luís Montenegro é um lobo em pele de cordeiro, sempre a fazer olhinhos de carneiro mal morto.

A expressão “o homem é o lobo do homem” é do romano Plauto (III a.C.), mas viralizou no tratado “Leviatã”, do inglês Thomas Hobbes, (século XVII). Descreve o ser humano no estado da natureza, sem um Estado-árbitro, numa “guerra de todos contra todos”, no qual a vida a vida humana era “solitária, pobre, sórdida, brutal e curta”.

Na França atual, o homem não é o lobo do lobo: lá, a pena para quem mata um lobo é multa de 150 mil euros e 7 anos de cadeia. Daí que o número daqueles predadores cresce 1/5 ao ano. Pelo andar da carruagem, haverá 12 mil lobos daqui a 20 anos, saboreando 300 mil tenros mémés anualmente. E fervilham os slogans nas bermas da estradas: “Mort aux loups!” E sopapos entre ativistas dos animais e criadores de gado. Com mais olhos que barriga, os lobos matam mais ovelhas do que conseguem comer. E as ovelhinhas não são famosas pela síndrome de Estocolmo, mas pelos traumas tipo geração Z: no rebanho atacado, a produção de leite cai, os animais têm menos crias e mais abortos espontâneos.

O lobo voltou à vaca fria com o êxodo dos camponeses para as cidades. A ferocidade lupina era um arquétipo coletivo junguiano. Até hoje perdura a fama da Bête du Gévaudan, um lobo XL que em 1760 degustou 300 franceses, até que uma milícia de 20 mil voluntários tratou-lhe do pelo.

Na literatura ocidental, o registo mais antigo de uma emoção animal é na “Odisseia”: o cão Argos reconhece o galdério Ulisses após 20 anos de ausência, e morre feliz. Pela primeira e última vez em Homero, um herói chora. Em 3 de janeiro de 1889, em Turim, Nietzsche (o maior influencer de toda a cambada pós-moderna, de Foucault a Derrida, passando pelo nazi Heidegger) viu um cocheiro a chicotear um cavalo no meio da rua. O filósofo abraçou o pescoço do quadrúpede, e teve um badagaio. Ao recuperar os sentidos, jurou que era o Kaiser, e, no último estágio da sífilis, informou que “o velho Deus havia abdicado, por isso governarei o mundo a partir de agora.” Viveu 11 anos, e nunca mais disse coisa com coisa.

Já Sartre grunhiu que “quem gosta demasiado de bichos é porque não gosta lá muito das pessoas”. Hitler professava amar mais os animais do que gente. Em 30 de abril de 1945, no bunker em Berlim, o Führer testou cianureto na sua cadela preferida, Bondi, e ficou a vê-la a agonizar com dores excruciantes. Depois deu o veneno a Eva Braun, e um tiro na própria cabeça de alho chocho (sim, por esta ordem).

O australiano Peter Singer criou o termo “especismo”- racismo contra os animais. Mas também apoiou o infanticídio pós-natal (em crianças até 2 anos), a eutanásia em humanos com deficiências, e outros “tiros de misericórdia” – não distante do eugenismo nazi Aktion T4, que até 1945 extinguiu 250 mil vidas “indignas de ser vividas”.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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