Trumpolinices e barbaridades
Confiando na imprensa escrita em que as li, proponho-me comentar uma justificação e uma intenção.
A justificação assenta numa frase atribuída ao presidente norte-americano (agora vendedor de gasóleo russo à comissão), referindo-se à Venezuela e ao seu petróleo: “Nós derrotámo-los, logo temos direito aos despojos, o petróleo.” To the victor belong the spoils , disse, enfaticamente.
Nos tempos da Roma Imperial, era assim: os vencedores romanos apropriavam-se dos bens dos vencidos e também das pessoas destes e suas famílias, reduzidos à condição de escravos.
Exibiam-nos em desfiles pelas ruas de Roma.
Trump replicou, modernizando-o, este comportamento com o rapto do então presidente da Venezuela e da mulher e as imagens destes, à chegada aos EUA, acorrentados, nas televisões.
O espetáculo da humilhação! Já não era assim ao tempo da Revolução Francesa.
Os bens dos vencidos eram ocupados, requisitados ou expropriados pelo Exército vencedor – num quadro de legalidade aparente –, embora também fossem, amiúde, saqueados pelos soldados vitoriosos.
No século XX, pelo menos depois da Segunda Guerra Mundial, passaram a respeitar-se, em princípio, os bens dos vencidos, muito embora os abusos subsistam até aos nossos dias.
Já não lia a palavra “despojos”, a não ser em livros de história ou ficção histórica, há muito tempo.
Regressámos, parece, a um passado, imaginado em Hollywood, de armas e estandartes dos vencidos amontoados pelos soldados vencedores aos pés do seu general.
É um insólito regresso ao passado, só compreensível pela arrogância e pela brutalidade dos vencedores.
Agora a intenção.
Não é só ao tempo dos despojos de guerra que nos querem fazer regressar.
Na melhor tradição do circo romano, a aplicação da pena de morte – em si mesma um castigo bárbaro, impróprio de um país que se diz civilizado – volta a atrair multidões: depois dos Autos de Fé da Inquisição, das decapitações na Inglaterra dos Tudor, da guilhotina na França revolucionária, dos enforcamentos de Lynch no farwest e das degolações da Al-Qaeda, teremos os fuzilamentos de Hegseth.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.