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Guterres alerta grandes potências para os limites do seu poder: "As coisas mudaram"

Diário de Notícias ·
Guterres alerta grandes potências para os limites do seu poder: "As coisas mudaram"

O impasse dos Estados Unidos no conflito com o Irão e a invasão da Ucrânia pela Rússia evidenciaram os limites das grandes potências , afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Numa entrevista ao Financial Times publicada nesta terça-feira, 25 de agosto, Guterres, cujo mandato está prestes a terminar após uma década à frente da ONU, descreveu um mundo que está a ser remodelado pelo declínio da hegemonia dos Estados Unidos, a ascensão de novas potências e as experiências de conflitos auto-iniciados.

“É tempo de as grandes potências compreenderem os limites do seu poder.

Se observarmos os acontecimentos recentes, a capacidade das grandes potências de impor a sua vontade ou a sua força em diversas situações tem sido severamente limitada.

Vejam o que aconteceu à Rússia e à Ucrânia ”, considerou, referindo-se à invasão de 2022 que Moscovo estimou que duraria apenas alguns dias.

Para Guterres “é tempo de as grandes potências compreenderem os limites do seu poder.

Já no que diz respeito à expectativa de Washington de que Teerão se rendesse após o ataque de fevereiro, o secretário-geral da ONU voltou a referir: “vejam o que aconteceu aos Estados Unidos e ao Irão”, isto porque, seis meses depois o regime iraniano resiste e fechou o estreito de Ormuz.

“As grandes potências precisam de compreender que as coisas mudaram.

O peso dos diferentes países alterou-se” , vincou.

Para Guterres estes contratempos como parte da transição da ordem pós-Guerra Fria liderada pelos Estados Unidos para um mundo multipolar.

O antigo primeiro-ministro português, de 77 anos, desvalorizou a ideia de que o Conselho de Paz do presidente norte-americano, Donald Trump, pudesse rivalizar com o Conselho de Segurança da ONU.

O Conselho de Paz é o grupo de líderes internacionais criado para intermediar um acordo entre Israel e a organização palestiniana Hamas.

“Apesar de todas as dificuldades que possam existir [para a ONU], a verdade é que, se observarmos o que está a acontecer em Gaza, as medidas tomadas e os progressos alcançados, sejamos honestos: não é a ONU que deve estar preocupada.

São outros que devem estar preocupados com o que estão a fazer ”, disse.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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