França investiga interferência russa contra três figuras políticas
A oito meses da primeira volta das eleições presidenciais francesas, marcada para 18 de abril de 2027, três candidatos declarados ou potenciais foram alvo, num curto período, de campanhas de desinformação atribuídas a redes pró-russas.
A Procuradoria de Paris disse ter decidido investigar por iniciativa própria os casos envolvendo os três políticos, mesmo antes de receber as respetivas queixas formais.
No início de agosto, o Ministério Público já tinha anunciado uma investigação relacionada com Glucksmann, eurodeputado social-democrata e potencial candidato à presidência, que foi alvo de uma campanha de desinformação através da companheira, a jornalista Léa Salamé.
A campanha acusava falsamente Salamé de subornar órgãos de comunicação social para favorecer uma eventual candidatura presidencial de Glucksmann.
A operação foi atribuída ao grupo Storm-1516, associado aos serviços de informações militares russos (GRU), e suspeito de estar igualmente envolvido numa campanha contra Édouard Philippe, primeiro-ministro de Emmanuel Macron entre maio de 2017 e julho de 2020.
No caso de Philippe, foram divulgadas nas redes sociais informações falsas relacionadas com o seu estado de saúde.
Gabriel Attal, primeiro-ministro entre janeiro e setembro de 2024 e líder do partido Renascimento, foi alvo de uma campanha semelhante, que difundiu alegações falsas de que sofria da doença de Parkinson.
Attal apresentou, em 07 de agosto, uma queixa por "ingerência estrangeira" com origem em "redes russas", segundo os seus advogados.
De acordo com estes advogados, várias contas anónimas, algumas das quais se faziam passar por órgãos de comunicação social franceses e internacionais, divulgaram vídeos e capas de jornais falsos e conteúdos que imitavam logótipos de meios de comunicação.
Esses conteúdos atribuíam a Attal declarações, comportamentos e posições políticas falsas, numa operação que, segundo a defesa, tinha como objetivo desacreditá-lo enquanto potencial candidato presidencial.
"Se não fizermos nada para nos proteger, a eleição pode ser uma fraude", avisou Attal, acusando a Rússia de pretender roubar aos franceses as presidenciais.
O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noel Barrot, afirmou, a propósito das campanhas, que Paris não vai tolerar "qualquer tentativa de interferência estrangeira no debate democrático", particularmente no processo eleitoral.
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