Alemanha autoriza entrada de talibãs para facilitar deportações
"Aprovámos a entrada temporária de uma equipa de apoio técnico", afirmou um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão durante uma conferência de imprensa em Berlim, explicando que o objetivo é "aumentar o número de deportações para o Afeganistão".
O Governo alemão considera ser do seu interesse que as representações afegãs no estrangeiro possam prestar serviços consulares aos cerca de 450 mil cidadãos afegãos residentes na Alemanha e, em particular, colaborar nas operações de repatriamento.
Para isso, acrescentou o porta-voz, é necessário dispor de "pessoal suficiente" e assegurar as condições técnicas necessárias ao funcionamento dos serviços.
Berlim esclareceu que os representantes talibãs autorizados a entrar no país foram submetidos a verificações de segurança, não têm estatuto de diplomatas acreditados na Alemanha e abandonarão o território alemão após uma curta permanência.
"São, na verdade, técnicos que garantem o bom funcionamento dos equipamentos", explicou o porta-voz, dando como exemplo a necessidade de assegurar a impressão de autocolantes para passaportes.
A decisão insere-se na estratégia do Governo liderado pelo chanceler conservador Friedrich Merz de endurecimento da política migratória, através do reforço dos controlos nas fronteiras e do aumento das expulsões de estrangeiros sem direito a permanecer no país.
Na semana passada, as autoridades alemãs deportaram para Cabul 23 cidadãos afegãos num voo que partiu do aeroporto de Leipzig, no leste da Alemanha.
Berlim não reconhece oficialmente o regime talibã, que regressou ao poder no Afeganistão em agosto de 2021, após a retirada das forças internacionais lideradas pelos Estados Unidos, mas tem mantido contactos com as autoridades de facto afegãs para organizar operações de deportação.
As expulsões para o Afeganistão são contestadas por organizações de defesa dos direitos humanos, que alertam para a situação no país sob o regime fundamentalista islâmico.
Desde o regresso ao poder, os talibãs impuseram numerosas restrições aos direitos e liberdades, particularmente das mulheres e raparigas, incluindo limitações severas no acesso à educação, ao emprego e à participação na vida pública.
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