Antes do fogo
Durante demasiado tempo, os incêndios florestais foram encarados pelo setor segurador como uma variável externa.
Um risco natural que surgia ciclicamente, provocava perdas mais ou menos previsíveis e regressava depois ao seu estado de latência.
Hoje, essa visão tornou-se perigosamente obsoleta.
Os incêndios já não são apenas um fenómeno climático.
Como vemos no exemplo californiano, são uma força económica capaz de redefinir a geografia da segurabilidade, alterar o custo do capital e desafiar alguns dos pressupostos fundamentais sobre os quais a indústria construiu os seus modelos de risco.
Em Portugal, contudo, a maioria das discussões sobre o tema continua centrada na frequência dos eventos.
Quantos incêndios ocorreram? Quantos hectares foram destruídos? Quantas habitações foram afetadas? Embora relevantes, estas métricas podem estar a ocultar a verdadeira questão.
O problema não é apenas o aumento do número de incêndios.
É a crescente capacidade de um único evento concentrar perdas, gerar impactos em cascata e comprometer a sustentabilidade de carteiras inteiras .
O que aconteceu em Madrid e Almería este verão são, disso, exemplos ilustrativos.
O conceito de diversificação, um dos pilares históricos do seguro, está sob pressão.
À medida que secas prolongadas, temperaturas extremas e alterações nos usos do solo se tornam mais frequentes, aumenta também a correlação entre riscos que anteriormente pareciam independentes.
O resultado é um cenário em que a volatilidade cresce mais rapidamente do que a capacidade tradicional de a absorver.
Neste contexto, talvez seja necessário abandonar uma ideia que durante décadas orientou o pensamento da indústria, a de que a função do segurador é apenas medir, tarifar, gerir e transferir risco.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.