Europa precisa "de navios quebra-gelo" no Ártico, diz Kaja Kallas
"T endo em conta a situação atual, mas também as alterações climáticas e a abertura de rotas marítimas, todos concordamos que precisamos de navios quebra-gelo, de mais navios quebra-gelo, ou de navios capazes de navegar nessas condições extremamente difíceis", afirmou Kaja Kallas.
A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa e de Segurança emitiu estas declarações numa conferência de imprensa por ocasião de uma cimeira UE-Ártico em Rovaniemi, no norte da Finlândia, quando questionada sobre a possibilidade de um financiamento europeu para a compra de navios quebra-gelo construídos no país anfitrião.
Os europeus debateram o possível financiamento pela UE de navios quebra-gelo, uma ideia proposta pelo primeiro-ministro finlandês, Petteri Orpo.
"A capacidade dos navios quebra-gelo é uma coisa de que realmente precisamos", disse Orpo na mesma conferência de imprensa.
"É verdade que podemos construir esses navios e que dispomos de grande experiência nessa área, mas precisamos de avançar passo a passo", acrescentou.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, também manifestou apoio à proposta.
"Sabemos que temos absoluta necessidade de navios quebra-gelo, e não é uma questão que diga apenas respeito à Finlândia, à Noruega ou à Suécia. É uma questão de interesse para toda a União Europeia, para todo o continente europeu", sublinhou.
A China, a Rússia e os Estados Unidos estão a reforçar a presença na região estratégica do Ártico, nomeadamente para aceder a vastas reservas de recursos naturais, que estão a tornar-se cada vez mais acessíveis à medida que o gelo derrete e que novas rotas marítimas se abrem em consequência das alterações climáticas.
Em outubro, os Estados Unidos anunciaram a compra de 11 navios quebra-gelo à Finlândia para a Guarda Costeira norte-americana, que atualmente apenas dispõe de três embarcações desse tipo, já antigos.
Já Rússia possui há muito uma grande frota destes navios. Moscovo está a tentar promover a passagem do norte-leste, ao longo da sua costa setentrional, como uma rota marítima intercontinental que permite ligar mais rapidamente a Ásia Oriental à Europa.
Na cimeira de Rovaniemi foi emitida uma declaração conjunta instando a UE a reforçar o papel estratégico no Ártico, perante as ameaças de Moscovo e também de Washington, com o Presidente norte-americano, Donald Trump, a manter a pressão sobre a Gronelândia.
No encontro, participaram 12 países: Finlândia, Alemanha, Dinamarca, Estónia, França, Grécia, Letónia, Lituânia, Países Baixos, Polónia, Roménia e Suécia.
A UE aprovou já um pacote de ajuda financeira de 200 milhões de euros para a Gronelândia, território autónomo da Dinamarca.
O Ártico, que está a aquecer quase quatro vezes mais rapidamente que outras regiões, tem registado um aumento de atividade à medida que o recuo do gelo abre potenciais rotas de transporte, bem como o acesso a recursos minerais.
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