Quatro filmes para ver esta semana
Um dia tinha que ser, tinha que vir alguém dar o tratamento “meta”, autorreferencial e pseudointelectual ao filme de terror slasher , em que assassinos psicopatas bizarros massacram adolescentes, em geral isolados na natureza (a série dos Sexta-Feira, 13 , só para citar um dos títulos mais conhecidos deste subgénero). Esse alguém foi Jane Schoenbrun ( Vamos Todos à Exposição Mundial , I Saw the TV Glow ), em Adolescência, Sexo e Morte no Acampamento Miasma . Kris (Hannah Einbinder) é uma jovem realizadora queer revelada por um remake de Psico feito do ponto de vista da cortina do chuveiro (Schoenbrun tem sentido de humor, pena que aqui o use poucas vezes), e contratada para reativar a estafada franquia de terror Camp Miasma (a abertura do filme é brilhante, descrevendo toda a evolução da dita, das sequelas ao merchandising e aos artigos na imprensa especializada), cujo assassino residente tem uma identidade sexual confusa, uma saída de ventilador enfiada na cabeça, mata com um arpão e se chama Little Death. Kris quer fazer um filme novo e fresco, e vai visitar a atriz que interpretou a única sobrevivente no filme original, Billy Pressly (Gillian Anderson), que vive há muitos anos no acampamento de férias em que este foi rodado, e descobre, entre outras coisas, que Little Death existe mesmo. A realizadora conhece bem este subgénero e as suas convenções, personagens-tipo, etc, ao ponto de poder ter mesmo feito um slasher como mandam as regras. Mas à medida que a fita progride, ela vai-a complicando e afundando num cada vez mais denso e opaco molho feito de ambiente “meta”, de onirismo decorativo, de tiradas pastiche e autorreferenciais, de conotações sexuais e dos seus próprios fantasmas queer , ao ponto de a última parte ser tão críptica quanto pretensiosa. Anderson faz muito bem uma Norma Desmond do slasher , e como a sua Billy diz a certa altura, tudo se resume, neste formato, a “carne e fluidos”. Schoenbrun sabe-o, mas borrou a pintura toda com esta “releitura”. Para recuperar do choque, é ver clássicos como A Vingança (1981), Acampamento Sangrento (1983) ou uns quantos Sexta-Feira, 13 .
Brad Pitt é o principal intérprete (juntamente com um Pastor Alemão) e um dos produtores de Heart of the Beast — Heróis Inseparáveis , realizado por David Ayer ( Fim de Turno , Fúria , Esquadrão Suicida ) e que cruza o filme de sobrevivência com o de aventura extrema envolvendo um homem e o seu fiel cão. Pitt personifica James Belmont, um ex-soldado das Forças Especiais dos EUA, que vive retirado no Alasca com Odin, o seu antigo cão de combate e único companheiro. O hidroavião em que viajam cai e James e Odin sobrevivem, mas ficam perdidos no meio da natureza, sem possibilidade de serem salvos e a muitos quilómetros de distância de qualquer lugar onde haja seres humanos e ajuda. Homem e animal vão ter que se pôr a caminho para atingirem a segurança, tendo que enfrentar, ao longo de uma jornada ingrata e muito perigosa, uma natureza inóspita, um terreno difícil, vida selvagem mortífera e o frio que se faz sentir cada vez mais, elementos que irão testar severamente os sólidos laços existentes entre os dois.
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