“Óculos dos prevertidos”. Os óculos inteligentes estão a ser um pesadelo de marketing e há países que já os querem banir
A possibilidade de gravar áudio e vídeo discretamente com óculos inteligentes tem levado a casos de pessoas, especialmente mulheres, serem filmadas sem consentimento e de os conteúdos serem posteriormente publicados nas redes sociais, dando origem à expressão “pervert glasses”.
O Ministério Público francês está a investigar um caso de assédio, há países que os querem banir e a Meta pondera versão sem câmara.
Ao longo das últimas semanas, os óculos inteligentes com câmara, em particular os modelos da Meta, produzidos em parceria com a EssilorLuxottica, tornaram-se um dos temas tecnológicos mais debatidos a nível internacional.
Foram vendidos mais de sete milhões de pares só em 2025, e a EssilorLuxottica descreve o crescimento das vendas em 2026 como “exponencial”.
O sucesso comercial, no entanto, trouxe consigo uma vaga de preocupações sobre privacidade, à medida que se multiplicam os casos de pessoas, sobretudo mulheres, filmadas na rua sem conhecimento ou consentimento, com os vídeos depois a serem publicados nas redes sociais.
Alguns criadores de conteúdo usam os óculos para abordar e filmar mulheres de forma dissimulada, um fenómeno que levou a que os dispositivos ganhassem a alcunha de “pervert glasses” [ óculos de prevertidos].
Uma investigação da Universidade de Sydney concluiu que 60% de uma amostra de vídeos filmados com estes óculos e publicados no Instagram poderiam ser classificados como potencial assédio.
Foi em França que a situação ganhou contornos judiciais mais claros.
O Ministério Público de Paris confirmou à Reuters que abriu pelo menos uma investigação por filmagens e divulgação nas redes sociais sem consentimento.
Os procuradores não revelaram a marca dos dispositivos envolvidos, mas confirmaram que a unidade de cibercrime testou pessoalmente óculos inteligentes há cerca de duas semanas para perceber melhor que tipos de crimes esta tecnologia pode facilitar.
A CNIL (a autoridade francesa de proteção de dados) tem recebido queixas não só de particulares mas também diretamente de empresas, cada vez mais interessadas em perceber se podem simplesmente proibir os óculos nos seus locais de trabalho.
Até agora, a CNIL contabiliza menos de dez queixas formais relacionadas com o uso profissional destes dispositivos, mas o número de pedidos de esclarecimento por parte de entidades empregadoras tem vindo a aumentar de forma constante.
Nacera Bekhat, responsável de assuntos económicos da CNIL, resume à Reuters o problema dizendo que os óculos inteligentes colocam “desafios reais” quanto a avisar as pessoas de que estão a ser filmadas e a obter o seu consentimento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em 24.sapo.pt — o conteúdo pertence a SAPO24.