Chega alerta para crise na lavoura açoriana
O Chega/Açores considerou esta quarta-feira que a lavoura é “um dos pilares da economia regional”, mas devido às dificuldades que atravessa está cada vez menos atrativa para quem quer começar a desenvolver uma atividade profissional.
O líder parlamentar do Chega açoriano, José Pacheco, citado numa nota de imprensa do partido, aponta para dificuldades no setor relacionadas com a descida do preço do leite e com o “brutal aumento” dos custos de produção, situação que “tem dificultado a vida aos produtores”.
Pacheco, que visitou esta quarta-feira uma exploração agrícola no concelho da Povoação, na ilha de São Miguel, referiu que a anunciada descida do preço do leite à produção, em setembro, será “mais uma machadada” num setor em dificuldades.
“Com estas flutuações no preço do leite – que é dos mais mal pagos da Europa, mas curiosamente é de grande excelência —, as indústrias, qualquer dia, querem leite para as fábricas e não têm”, avisou.
Para o parlamentar, tem de haver uma conjugação de esforços entre a indústria e os produtores para que “se consigam perceber as dificuldades de ambas as partes”.
quando a região precisa de ter “uma lavoura saudável e que gere muita economia”.
Devido ao atual cenário, os jovens estão a afastar-se do setor, porque “não veem na lavoura um futuro estável”, e aqueles que permanecem sentem-se desvalorizados e “muitos têm transitado para o setor da carne”.
“É uma aposta inteligente e é bom que a indústria perceba isso, porque se os lavradores abandonarem o leite, possivelmente algumas fábricas vão ter de fechar por falta de matéria-prima”, afirmou.
Segundo o Chega/Açores, “os apoios que têm sido avançados aos agricultores nacionais – devido ao aumento dos custos de produção derivado da guerra na Ucrânia -, não abrangeram os Açores, aumentando ainda mais o fosso entre o setor nos Açores e no continente, quando a região é responsável por mais de 30% do leite produzido em todo o país”.
O presidente da Federação Agrícola dos Açores (FAA), Jorge Rita, demonstrou este mês “grande preocupação” com a descida dos preços do leite e da carne pagos aos produtores e considerou que apoios extraordinários da República devem ser disponibilizados rapidamente.
Citado em nota de imprensa, o dirigente condenou a redução de 1,5 cêntimos por litro no preço do leite pago pela indústria de transformação de laticínios Bel aos produtores de São Miguel a partir de 01 de setembro, depois das reduções anunciadas por outras indústrias (Lactogal, Prolacto e Insulac) para o mês de agosto.
Jorge Rita considera ainda que a desvalorização do leite e da carne “representa um sinal negativo para o presente e para o futuro da agricultura açoriana, desmotivando quem trabalha diariamente e arduamente em prol do setor”, defendendo medidas para apoiar os agricultores.
Sugere que os 23 milhões de euros da República, que foram atribuídos no âmbito dos apoios extraordinários relacionados com a guerra na Ucrânia, “devem ser disponibilizados aos agricultores açorianos rapidamente, de forma a contribuir para atenuar as dificuldades que o setor atravessa”.
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