As notícias das 11h
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E o dia fica marcado pela morte de Jorge Palma. Carla, o cantor e compositor tinha 76 anos.
E ao longo da manhã temos estado a ouvir reações de quem conhecia bem Jorge Palma, entre artistas e músicos. Todos falam numa figura que vai marcar para sempre a cultura nacional.
Começamos com David Ferreira, que foi o responsável pela edição de vários álbuns de Jorge Palma. Lembra o problema que o cantor teve com o álcool e explica que, por isso, havia editores que não queriam trabalhar com ele. Ainda assim, David Ferreira acreditou e descreve Jorge Palma como um homem com um talento raro.
E a expectativa era muito baixa. E era baixa não apenas dentro da editora, mas era baixa também fora da editora, porque o álcool tinha tomado completamente conta do Jorge. E houve várias pessoas que vinham ter comigo e diziam: "Mas para que tu vais assinar um disco para o Jorge Palma? Eu não acredito que ele volte a gravar um disco." E eu lembro de dizer: "Mas ele tem talento. O talento que o Jorge tem é tão raro que temos que acreditar." E ele depois grava um disco, que é um bocadinho remendado, no sentido em que ele aproveita canções que ia fazendo.
Ouvimos também Rita Carmo, autora do livro de fotografias de Jorge Palma, publicado em 2023. Ela recorda o momento em que o convidou para ser fotografado durante a pandemia.
Mas o Jorge, eu sabia onde é que ele estava, eu liguei-lhe e mandei-lhe uma mensagem e ele: "Sim, sim, aparece aí." E eu disse: "Ó Jorge, espera lá, tem calma. Tens a noção disso?" "Não, não, não tem problema nenhum. Aparece aí, estás longe, não vamos fazer nada de mal. Vens cá." Ele estava em casa, portanto, completamente à vontade. Mas em relação àquilo que as pessoas pensam, de como é que ele está ou como é que não está, ele não se preocupava com isso e às vezes até tínhamos de ser nós à volta: "Jorge, estás despenteado" . E ele não ligava nada.
Rita Carmo, autora do livro de fotografias de Jorge Palma, que foi publicado em 2023.
E um dos produtores de Jorge Palma, Manuel Moura Santos, recorda os 17 anos de trabalho com o artista.
Eu trabalhei 17 anos com ele, 18, se incluir o Rio Grande. E guardo esse tempo com recordações extraordinárias. Os discos que ele fez enquanto eu trabalhei com ele, que foram pelo menos quatro discos originais e dois discos ao vivo. E um marcante, porque provavelmente terá sido o maior sucesso da carreira dele, foi o "Boa Noite". E eis que era fácil.
Era fácil. Manuel Moura dos Santos chegou a ser manager ao longo dos mais de 50 anos de carreira de Palma.
E Álvaro Covões, promotor musical, destaca a grande base de estudos do cantor e compositor, para além do talento inato de Jorge Palma.
É evidente que para ser artista tem que ser uma pessoa extraordinária, tem que ser um talento inato. Mas ele fez uma coisa que muitos artistas não fazem ou não fizeram: ele estudou. Ele tinha o curso superior de piano, ele sabia solfejo. Ele aprendeu a escrever letras em português com homens tão extraordinários como José Carlos Ary dos Santos. E isso tornou-o ainda melhor.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.