Banco Mundial aponta eficiência de recursos e emprego entre grandes desafios globais
O presidente do Banco Mundial (BM), Ajay Banga, considerou hoje, em Banguecoque, que os grandes desafios atuais a nível global são "otimizar a utilização dos recursos escassos" e promover a "criação de emprego em grande escala".
"Nos próximos 10 a 15 anos, 1.200 milhões de jovens irão ingressar num mercado de trabalho que, segundo as projeções, oferecerá apenas cerca de 400 milhões de postos de trabalho", referiu o empresário indiano-americano, salientando o défice de cerca de 800 milhões de postos de trabalho.
Banga encontra-se na capital tailandesa para participar nas reuniões anuais do BM e do Fundo Monetário Internacional (FMI) a decorrer esta semana.
Embora o investimento privado em países de rendimento médio e elevado tenha crescido, Banga alertou que, nas economias mais pobres, este financiamento continua estagnado em cerca de 3.000 milhões de dólares por ano, um défice financeiro que obriga a reorientar os apoios para as pequenas e médias empresas como principal motor de emprego nessas regiões.
Além disso, o presidente do Banco Mundial salientou que seis bancos multilaterais se uniram para padronizar os contratos e agrupar projetos de infraestruturas, o que permitirá vender empréstimos já consolidados a grandes investidores --- como fundos de pensões e seguradoras --- e, assim, libertar fundos públicos para financiar novas obras de desenvolvimento.
No que diz respeito às metas globais para 2030, Banga destacou o compromisso de levar eletricidade a 300 milhões de pessoas em África e proporcionar serviços de saúde de qualidade a outros 1.500 milhões, além de promover ferramentas digitais simples para apoiar pequenos agricultores, médicos e educadores locais.
"Não se trata de recriar o modelo de desenvolvimento da geração anterior, mas sim de construir um que esteja à altura das expectativas da próxima. Um modelo que evolua ao ritmo dos países", salientou.
Segundo Banga, desde que assumiu a direção da organização em 2023, a captação de capital privado para projetos de desenvolvimento mais do que triplicou, passando de cerca de 35.000 milhões de dólares em 2022 para 112.000 milhões no último ano.
Na terça-feira, no relatório Perspetivas da Economia Mundial, o FMI elevou a previsão de crescimento mundial para 2026 para 3,1%, mas alertou para o "crescente desequilíbrio económico mundial" face ao impacto diferenciado dos investimentos em inteligência artificial entre os países, entre outros fatores.
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