“Um jogo do empurra”. Estrada interditada há meses entre Torres Vedras e Sobral de Monte Agraço deixa alunos sem autocarro
Onze jovens residentes na Feliteira, na freguesia de Dois Portos, concelho de Torres Vedras, estão identificados como alunos da Escola Básica e Secundária Joaquim Inácio da Cruz Sobral, no concelho de Sobral de Monte Agraço, e enfrentam há meses dificuldades para chegar a este estabelecimento de ensino através de transportes públicos.
Além destes, há famílias com crianças que frequentam o ensino pré-escolar ou primário que ficam também sem forma de deslocação, bem como adultos — cerca de 15 — sem outra alternativa além do autocarro para chegarem à vila, que dista três quilómetros, enquanto Torres Vedras está a cerca de 12 quilómetros de distância.
Em causa está a ligação de transporte público entre os dois concelhos.
O problema começou entre final de janeiro e início de fevereiro, na sequência das intempéries e do abatimento de uma via que levou à interdição da estrada de ligação entre Feliteira e Sobral de Monte Agraço a veículos pesados, inclusive de transporte coletivo de passageiros.
Contudo, são vários os relatos de moradores que afirmam ver pesados de mercadorias a passarem no local, apesar da proibição.
A situação tem motivado contactos entre encarregados de educação, Câmara Municipal de Torres Vedras, Câmara Municipal de Sobral de Monte Agraço, Junta de Freguesia de Dois Portos, Autoridade de Transportes do Oeste (OesteCIM) e o operador Boa Viagem.
Até agora, apenas a Junta de Freguesia de Dois Portos disponibilizou carrinhas para ajudar no transporte dos alunos — mas esta solução não chega.
Luís Silva é pai de duas alunas que frequentam o 10.º ano e admite as dificuldades nos últimos meses, já que a família foi obrigada a alterar rotinas para garantir as deslocações.
“A falta de transporte obriga a uma logística diferente do habitual, obrigando a adequar o trabalho em relação ao horário dos educandos, de modo a tentar minimizar ao máximo longos tempos de espera por parte das minhas filhas”, explica ao 24notícias .
A situação tem também impacto financeiro, uma vez que a família passou a “percorrer mais quilómetros por dia de carro devido a esta situação”.
Na prática, Luís Silva conta que tem sido necessário ajustar “horários de entrada/saída do trabalho”, pedir ajuda aos avós e, pontualmente, recorrer a serviços de transporte como Uber ou táxi para que as duas alunas cheguem à escola.
Assim, o problema torna-se particularmente difícil devido à ausência de uma ligação direta ao concelho vizinho.
“Não tendo qualquer ligação a Sobral de Monte Agraço, não existem sequer soluções de transporte viáveis neste momento”, considera.
Luís Silva dá como exemplo a utilização do autocarro que assegura o serviço de substituição do comboio até localidades como Gozundeira ou Dois Portos, devido às obras na Linha do Oeste.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em 24.sapo.pt — o conteúdo pertence a SAPO24.