Sobre memórias da cólera (I)
Em Portugal, testemunhei epidemias de cólera que irromperam, bruscamente, em 1971 e, a seguir, em 1974 e 1975.
Mais tarde, em Bissau, lidei com um surto que eclodiu no ano de 1987.
Conheço, pois, a sua gravidade, bem como as ações de controlo e prevenção que devem ser aplicadas.
As crónicas que publico têm, por isso, um certo caráter de registo histórico.
Preciso.
A cólera foi inicialmente reconhecida na Índia, em 1817.
Desde então, foram registadas seis vagas que, a partir do Golfo de Bengala percorreram o mundo em consecutivas pandemias durante o século XIX.
Portugal foi, também, particularmente atingido na altura do Cerco do Porto durante a Guerra Civil (1833).
Os historiadores estimam que aconteceram cerca de 40.000 óbitos provocados pela cólera em todo o país (aproximadamente o dobro das mortes motivadas pela própria guerra).
Na primeira metade do século XX, a atividade epidémica ficou confinada às regiões asiáticas para, depois de 1950, surgir como a 7.ª pandemia.
A história da cólera está associada aos trabalhos realizados pelo médico inglês John Snow (1813-1858), uma vez que foi o primeiro a descobrir que a doença era transmitida através da água contaminada por fezes e não por via aérea, como antes era crença generalizada.
Ficaram célebres as observações que conduziu em sucessivas epidemias que assolaram Londres entre 1832 e 1848 e logo publicadas, em 1849, com o título: On the Mode of Communication of Cholera .
A 2ª edição de 1854, que foi ampliada, ainda hoje constitui uma referência em epidemiologia moderna.
Snow ao ter verificado que a água de abastecimento da capital inglesa estava poluída pelos esgotos que afluíam ao Tamisa, a montante da respetiva captação, viria a demonstrar a transmissão fecal-oral da cólera: a epidemia terminou assim que o abastecimento de água da fonte com origem naquela captação foi interrompido por sua ordem expressa.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.