Advogado dos manifestantes vai apresentar queixa contra ação policial
O representante legal da organização da acampada que desde sábado está na Praça D.
João I, no Porto, disse hoje à Lusa que vai apresentar queixa contra a carga policial desta madrugada, que deixou 35 feridos ligeiros e dois graves.
"Isso [a queixa] será feito, não tenho dúvidas.
Estamos a recolher a prova, agora.
Já temos prova, e queremos conseguir as gravações que constam da praça", garantiu Tiago Machado.
Para o advogado, que remeteu mais esclarecimentos e decisões da organização para a concentração de hoje, pelas 19:00, no mesmo local, a atuação policial é incompreensível.
"Eu estava lá, e aquilo que se passou foi algo que eu ainda agora não consigo explicar, porque não houve nenhum ato por parte dos manifestantes que pudesse dar origem a esta resposta", disse.
Tiago Machado assegurou que recebeu da comandante da PSP no local a garantia verbal de que poderiam continuar na praça, dizendo apenas "que não queria barulho", ao que desligaram a coluna de som.
O movimento pela habitação que tem protestado no Porto desde sábado, com uma acampada que ali começou nesse dia, denunciou uma carga policial esta madrugada que causou ferimentos em 37 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave.
"Na madrugada desta quinta-feira, às 02:56, as forças policiais intervieram na acampada pela habitação na Praça D.
João I, no Porto, numa operação destinada a pôr termo ao protesto", refere o movimento em comunicado.
De acordo com o movimento, entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração foram hospitalizados.
Os participantes voltaram a instalar tendas durante a noite, que foram retiradas pela polícia, depois de o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, ter dito na quarta-feira que seria "absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas" na Praça D.
João I.
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