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"Não tenho paciência para essas divisões do elitista e do popular. Acho que se deve fazer de tudo. Faça-se é bem": José Raposo, o "tipo porreiro" que vai ser o vilão Macbeth

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"Não tenho paciência para essas divisões do elitista e do popular. Acho que se deve fazer de tudo. Faça-se é bem": José Raposo, o "tipo porreiro" que vai ser o vilão Macbeth

Aos 63 anos, José Raposo é Macbeth. Sobe ao palco principal do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, na próxima sexta-feira, na reabertura do teatro após três anos e meio de obras de requalificação. O diretor artístico e encenador, Pedro Penim , nunca teve dúvidas de que queria ter aquele que é "eventualmente um dos atores mais amados pelo público português" a fazer o grande vilão de Shakespeare. Mas o ator parece ainda não estar convencido de merecer esta prenda. A modéstia - que ele garante que não é falsa - atravessa esta entrevista. "Não sei o que me queres perguntar, há aqui outras pessoas que podes entrevistar. Eles estudaram todos muito. Eu nem por isso. E eles sabem falar muito melhor destas coisas todas do Macbeth e não sei o quê", lança, mal nos sentamos a conversar. "Vais tratar-me por tu, está bem? Se não vou sentir-me velho."

No Adoque fez uma peça infantil e uma revista mas, logo a seguir, o teatro fechou e foi o António Feio que lhe deu uma dica para um trabalho no Teatro da Trindade. Ia só para fazer uma pequena participação mas acabou a substituir um ator principal no espetáculo "O Processo de Jesus". "A sorte é com quem trabalhamos, acima de tudo", diz. "Trabalhei no Adoque com grandes mestres da comédia, passei para o Trindade com os atores do teatro mais clássico ou dramático, um grupo extraordinário com quem eu, como é óbvio, aprendi muito." Desfia uma série de nomes, de Francisco Nicholson a Henrique Viana, tenta não esquecer-se de ninguém. "Eu sou um eterno espectador. Gosto dos atores. E tenho sempre na minha memória os meus mestres."

Sim, sim, passei da revista para o drama, assim de repente. E foi maravilhoso. E dali nunca mais parei, porque depois foram surgindo as outras coisas.

É complicado, esta profissão é muito incerta e é preciso ter sorte. Ou seja, não é só ter ou não ter talento, isto tem muito a ver com a sorte de quem se apanha pelo caminho. E obviamente, o facto de as pessoas gostarem ou não de nós, e convidarem-nos. Eu não sou dos melhores exemplos, mas a verdade é que este país aproveita muito mal tanta gente, e muitos com muito talento passam ao lado de uma carreira porque não são pessoas de se imporem ou com ambição de aparecerem. No meu caso acho que tem muito a ver com o facto de eu ser o chamado “tipo porreiro”. Dou-me bem com as pessoas, acho que isso me ajudou. E depois as pessoas iam falando umas com as outras, vão-se lembrando de mim, isso é muito importante.

A verdade é que ao longo da sua carreira fez muitas coisas e coisas muito diferentes.

Não, eu tenho muita dificuldade em dizer não. Só agora - quando eu digo agora é para aí há uns cinco ou seis anos - é que eu comecei a, nem sequer é a rejeitar, é a dizer, olha, não posso porque tenho outro trabalho. E escolho. Poder ter opções é um luxo neste país, porque de facto, não há uma oferta assim tão grande. Ainda por cima, temos tantos, tantos miúdos a saírem das escolas, e eu pergunto, mas para onde é que esta gente vai trabalhar? É um bocado injusto, quando se está a formar estas pessoas, não lhes explicar que o mercado é muito difícil, muito mesmo, e que para se fazer isto, é preciso uma resiliência muito grande.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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