A disputa pela Virgem de Los Ángeles: 60 anos de história de um conflito entre a Igreja e a Opus Dei que chegou ao Vaticano
A antiga imagem da Virgem de Los Ángeles, venerada desde a Idade Média na região de Barbastro, uma cidade da província de Huesca (norte de Espanha, junto aos Pirinéus), tornou-se um dos principais pontos do conflito entre a Opus Dei e a diocese local.
No centro da disputa estão documentos assinados nos anos 60, o controlo do santuário de Torreciudad e a intervenção dos papas Francisco e Leão XIV.
A história começou muito antes da disputa atual.
No século XI, u ma imagem românica da Virgem de Los Ángeles era venerada numa pequena ermida situada numa colina próxima de Barbastro, em Aragão.
Séculos mais tarde, essa imagem acabaria por adquirir uma importância especial para uma das figuras mais conhecidas da Igreja Católica espanhola: Josemaría Escrivá, fundador da Opus Dei.
Em 1904, quando Josemaría Escrivá tinha apenas dois anos, ficou gravemente doente.
Segundo a tradição familiar, a sua mãe confiou a recuperação do filho à Virgem de Los Ángeles.
O pequeno sobreviveu e, décadas depois, já como fundador da Opus Dei, decidiu promover a construção de um grande santuário junto da antiga ermida.
E foi assim que começou a história moderna de Torreciudad.
A relação de Josemaría Escrivá com Portugal também ajuda a compreender a adoração a Maria e parte da história da Opus Dei.
Josemaría Escrivá esteve pela primeira vez no país em Fevereiro de 1945, depois de se encontrar em Tuy, na Galiza, com a irmã Lúcia, uma das videntes de Fátima.
A seu convite, viajou até Portugal e passou pelo Porto, Coimbra, Leiria, Fátima e Lisboa.
No Santuário de Fátima, confiou a Nossa Senhora o futuro trabalho da Opus Dei no país.
Segundo a própria organização, Josemaría Escrivá regressaria várias vezes a Portugal até 1972, mantendo sempre uma ligação particular a Fátima.
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