Trump encontrou uma solução invulgar para o seu problema com a Venezuela
Os Estados Unidos precisam do petróleo venezuelano — provavelmente mais do que em qualquer outro momento desde a crise do petróleo da década de 1970.
Mas o presidente Donald Trump tem tido dificuldades em convencer as empresas petrolíferas americanas a fazer investimentos significativos nas operações petrolíferas da Venezuela, depois de os Estados Unidos terem capturado Nicolás Maduro em janeiro e o terem detido sob a acusação de conspiração. A pressão pública exercida sobre os executivos do setor petrolífero não surtiu efeito. O mesmo aconteceu com vários acordos com a substituta de Maduro, Delcy Rodríguez, para reformar a indústria petrolífera do país que ela própria já tinha liderado.
Retirar o líder da Venezuela numa operação militar complexa acabou por ser a parte mais fácil.
Pode finalmente oferecer às empresas norte-americanas céticas a garantia que procuravam para investir com segurança na Venezuela.
Os Estados Unidos mais do que quadruplicaram as suas importações de crude da Venezuela este ano, atingindo o volume mais elevado de petróleo proveniente do país (cerca de 600 000 barris por dia) desde que a primeira administração Trump impôs sanções em 2019. A Venezuela é agora a segunda maior fonte de petróleo importado pelos EUA, apenas atrás do Canadá, de acordo com a Administração de Informação Energética.
O acordo anunciado por Trump na sexta-feira poderá reforçar significativamente essa relação: os Estados Unidos irão adquirir uma participação de 55% numa nova empresa conjunta com um operador privado venezuelano, segundo um responsável da Casa Branca. O contrato de arrendamento do campo petrolífero, com duração de 100 anos, dará origem à segunda maior empresa petrolífera do mundo, em termos de reservas totais, atrás apenas da Saudi Aramco.
A Venezuela possui 303 mil milhões de barris de reservas comprovadas de petróleo, e a empresa recém-formada controlará 65 mil milhões desses barris. Isso mais do que duplicaria os 46 mil milhões de barris de reservas de petróleo que os Estados Unidos já controlam, de acordo com a EIA.
Embora os Estados Unidos sejam um exportador líquido de petróleo e combustível — e o maior produtor mundial de crude —, continuam a importar quantidades significativas de petróleo. Isso deve-se ao facto de o petróleo norte-americano ser da variedade leve e doce, adequado para a produção de gasolina, mas não para combustíveis mais pesados. O petróleo venezuelano, em contrapartida, é pesado e ácido, podendo ser mais facilmente destilado em asfalto, óleos industriais, gasóleo e combustível para aviões.
Muitas refinarias norte-americanas foram concebidas especificamente para o petróleo venezuelano. Foram construídas na sua maioria na década de 1970, quando a Venezuela era uma das principais fontes de crude dos Estados Unidos. Assim, um aumento nas importações de petróleo venezuelano tornaria as refinarias americanas mais eficientes.
Isso é particularmente importante depois de a guerra no Irão ter perturbado cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo.
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