Portugal sem meios para contestar prorrogação da central nuclear de Almaraz
Portugal não dispõe de mecanismos para contestar a decisão do Governo espanhol de autorizar o prolongamento da atividade da central nuclear de Almaraz, localizado junto à fronteira portuguesa, afirmou a ministra do Ambiente e Energia.
“Nós pedimos explicações, pedimos informação. Não temos nenhum meio de contestar esta decisão, nem pelos tratados internacionais, nem pela Convenção de Espoo. Esta decisão não deu lugar a um estudo de impacto ambiental, portanto, não seremos envolvidos nesta decisão”, afirmou Maria da Graça Carvalho em entrevista à Rádio Observador, no último sábado.
A ministra assegura, contudo, confiar nas entidades espanholas responsáveis pela avaliação e fiscalização da instalação. “Confiamos nas autoridades espanholas. Aliás, o governo espanhol para dar esta autorização teve o parecer positivo de uma entidade, que é o Conselho de Segurança Nuclear Espanhol, que é uma entidade muito credível, com quem a APA tem reuniões regulares e que já dei indicações ao senhor presidente da Agência Portuguesa do Ambiente para entrar em contacto com este conselho e ter todas as informações e seguir as medidas de proteção”.
Ficaram, contudo, por esclarecer outras questões colocadas pelo Jornal PT Green , nomeadamente sobre os mecanismos existentes para garantir a Portugal acesso público e regular à informação sobre a segurança nuclear, a monitorização ambiental do rio Tejo e a gestão de resíduos radioativos junto à fronteira. O Governo não respondeu também sobre a possibilidade de formalizar novos pedidos de garantias de segurança junto de Espanha, nem sobre a eventual negociação de um calendário de encerramento para Almaraz, num contexto de revalorização da energia nuclear na União Europeia e a nível internacional.
O Governo espanhol renovou a autorização das duas unidades da central, justificando com a instabilidade dos preços do gás provocada pela crise no Médio Oriente.
Numa ordem publicada no Boletim Oficial do Estado, o Governo de Espanha concedeu à Central Nuclear Almaraz-Trillo autorização para manter em funcionamento as Unidades I e II até 8 de junho de 2030 — mais 31 e 19 meses, respetivamente, do que previa a licença anterior.
A decisão, aprovada com parecer favorável do Conselho de Segurança Nuclear, surge num contexto de subida e volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis e não altera, segundo o MITECO, o calendário de encerramento total do parque nuclear espanhol, previsto para 2035.
Almaraz é a central nuclear mais próxima de Portugal, estando localizada a cerca de 100 km da fronteira portuguesa. Por isso mesmo, antes do desfecho deste processo, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) participou na 25.ª reunião do Comité Local de Informação da Central Nuclear de Almaraz, realizada no município de Almaraz.
Segundo a APA, o encontro reuniu representantes das autoridades espanholas, do setor nuclear, da proteção civil e de entidades reguladoras, tendo como objetivo partilhar informação sobre o funcionamento da central, aspetos de segurança nuclear e preparação para emergências.
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