Bruxelas quer medir consumo de energia e água dos data centers e o seu impacto sobre a rede elétrica
A Comissão Europeia propôs esta segunda-feira a criação de um sistema comum de classificação para os centros de dados da UE que permita medir o seu consumo de energia e água e o impacto sobre a rede elétrica, perante o forte aumento da procura de energia associado ao desenvolvimento da inteligência artificial.
“Triplicar a nossa capacidade de centros de dados não pode significar triplicar a pressão sobre as nossas redes elétricas, a nossa água e as nossas faturas de energia. Tudo começa com a transparência”, declarou, num comunicado, a vice-presidente da Comissão Europeia para uma Transição Limpa, Justa e Competitiva, Teresa Ribera.
O sistema será aplicado aos centros de dados com uma capacidade superior a 500 quilowatts e terá também em conta aspetos como a reutilização do calor residual, a instalação de capacidade adicional de produção de energia limpa e a sua capacidade para adaptar o consumo às necessidades da rede.
A iniciativa pretende aumentar a transparência sobre a utilização de recursos num setor cuja capacidade a UE quer triplicar nos próximos cinco a sete anos, para reforçar a sua independência tecnológica e a sua soberania digital.
Ribera defendeu que os centros devem ser “eficientes, flexíveis, alimentados com energia limpa adicional e reutilizando o calor residual”, para que possam tornar-se “um ativo para a transição energética da UE”.
Segundo os dados utilizados pela Comissão na sua proposta, os centros de dados consumiram cerca de 68 terawatts-hora (TWh) de eletricidade na UE em 2024 e, em grande medida devido à expansão da inteligência artificial, o seu consumo poderá aumentar para 114 TWh em 2030, mais de 3% de toda a procura de eletricidade na União Europeia.
Bruxelas sublinhou ainda o potencial de aproveitamento da energia que atualmente é desperdiçada, uma vez que a reutilização de aproximadamente metade do calor residual dos centros de dados europeus seria equivalente a cobrir toda a procura de aquecimento de cerca de quatro milhões de habitações.
“Compreender o seu consumo de energia e de recursos é o primeiro passo essencial para os integrar de forma sustentável no nosso sistema energético”, afirmou, por seu lado, o comissário europeu da Energia e Habitação, Dan Jørgensen, que acrescentou que “a soberania digital deve andar de mãos dadas com a responsabilidade energética”.
O regulamento que introduz a classificação terá agora de passar por um período de controlo de dois meses por parte do Parlamento Europeu e do Conselho, e as primeiras etiquetas de sustentabilidade dos centros de dados deverão começar a ser exibidas em 2027.
Paralelamente, a Comissão lançou uma consulta pública sobre possíveis normas mínimas de desempenho energético para os centros de dados que operam na Europa, que permanecerá aberta até 14 de dezembro
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