Aluno chinês expulso na Rússia por exibir bandeira militar japonesa
A Universidade Estatal de Moscovo expulsou um estudante chinês que exibiu uma bandeira militar japonesa durante uma aula, após críticas do Exército chinês e da imprensa estatal, noticiou hoje o jornal de Hong Kong South China Morning Post.
Segundo o jornal oficial chinês Global Times, o estudante, identificado apenas pelo apelido Chen, foi também obrigado a abandonar a Rússia, na sequência do incidente ocorrido na passada quarta-feira, durante uma aula de História.
A decisão da universidade surgiu após o estudante ter sido criticado pelo Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), e pelo Exército de Libertação Popular (ELP), que consideraram o comportamento uma glorificação do militarismo japonês.
Num comentário publicado na segunda-feira, o Diário do Povo afirmou que atos de promoção do militarismo "traem a consciência nacional e violam o valor humano comum de preservar a paz", merecendo críticas severas e medidas disciplinares.
O jornal alertou também contra provocações de indivíduos que classificou como 'jingri', expressão depreciativa utilizada na China para designar pessoas consideradas excessivamente identificadas com o Japão.
No domingo, a conta Jun Zhengping, gerida pelo Exército chinês na rede social Weibo, afirmou que "independentemente do país ou da universidade, defender o militarismo constitui uma ofensa à consciência humana".
De acordo com o Global Times, a Faculdade de História da Universidade Estatal de Moscovo realizou na segunda-feira uma reunião durante a qual anunciou que iria formalizar a expulsão do estudante.
Os procedimentos para a saída de Chen da Rússia foram iniciados na sexta-feira, tendo o jovem entretanto abandonado o país, segundo o mesmo jornal.
A decisão surgiu após vários estudantes chineses da faculdade terem assinado uma petição a exigir medidas contra o colega.
Um estudante presente na reunião afirmou ao Global Times que os responsáveis universitários concordaram que o consenso histórico de oposição ao fascismo não poderia ser desrespeitado.
O diretor interino da faculdade, Lev S.
Belousov, recordou que a Rússia e a China combateram do mesmo lado durante a Segunda Guerra Mundial e destacou a longa história de amizade entre os dois países.
Segundo o jornal chinês, Belousov afirmou que a posição da universidade sobre a memória histórica antifascista coincide plenamente com a das autoridades chinesas e dos estudantes chineses da instituição.
O incidente ocorreu quando Chen levou para a sala de aula um boné militar japonês da década de 1930 e envolveu-se numa bandeira do sol nascente, historicamente utilizada pelas Forças Armadas imperiais japonesas.
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