Von der Leyen e Rutte reúnem-se perante aumento de ameaças híbridas
"É frequente que sejam acrescentadas reuniões à agenda da presidente [Ursula] von der Leyen, com pouca antecedência. Ora, esta reunião de amanhã [quarta-feira] entre a presidente e o secretário-geral [Mark] Rutte deve ser entendida no contexto do reforço da nossa cooperação em matéria de defesa, tanto dentro da Europa como com a NATO, e tendo em conta, nomeadamente, as crescentes ameaças híbridas a que estamos a assistir", disse a porta-voz principal da Comissão Europeia, Paula Pinho.
Questionada na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia, em Bruxelas, a responsável acrescentou que "não pode haver uma discussão deste tipo sem fazer referência à Ucrânia, sem fazer referência ao que está a acontecer na Europa, o que, obviamente, tem também consequências importantes para a União Europeia".
A porta-voz da Comissão Europeia não antecipou, porém, os temas concretos que serão discutidos.
A reunião ocorre num momento de forte pressão sobre a Ucrânia, que enfrenta uma nova vaga de ataques russos.
A ofensiva aérea russa tem recorrido também a 'drones' (veículos pilotados remotamente) de maior velocidade, mais difíceis de intercetar, com a Ucrânia a enfrentar uma crescente necessidade de sistemas de defesa aérea.
A questão do fornecimento de munições e de sistemas de interceção deverá continuar, por isso, entre as prioridades dos aliados europeus.
A guerra tem tido consequências para a segurança dos países europeus, num contexto marcado por incidentes envolvendo 'drones', ciberataques, sabotagem e outras ações atribuídas ou suspeitas de estar relacionadas com operações russas.
Entre os episódios mais recentes está o incidente registado no aeroporto de Leipzig/Halle, na Alemanha, relacionado com um alegado ataque com drone contra um avião de carga ucraniano, estando os países europeus a reforçarem a vigilância perante possíveis operações híbridas russas.
A NATO tem reconhecido o aumento das atividades híbridas russas na Europa, embora salientando que não identifica atualmente uma ameaça iminente de ataque militar direto contra um dos seus membros.
As chamadas ameaças híbridas incluem um conjunto de ações que procuram explorar vulnerabilidades dos Estados sem recorrer necessariamente a um conflito militar convencional, como ciberataques, desinformação, interferência em infraestruturas, sabotagem e incursões ou utilização de drones.
A questão da segurança europeia e da necessidade de aumentar as capacidades de defesa tem vindo a ganhar particular importância desde a invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, levando a União Europeia e a NATO a aprofundarem a cooperação e a defenderem um maior investimento nas capacidades militares europeias.
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