Neno tem 80 anos e é o brasileiro mais velho com síndrome de Down. "Raro"
A os 80 anos, João César Machiori é considerado a pessoa com síndrome de Down mais velha do Brasil. Neno, como é tratado pela família e pelos amigos, reside em São Manuel, no interior de São Paulo, e contagia todos com a sua alegria.
“Ele é o rei da casa, em todos os sentidos. É ele sempre em primeiro lugar. É o bem-estar dele, depois o nosso”, contou uma das irmãs, com quem o idoso reside, ao g1.
Neno é o mais novo de três irmãos e nunca frequentou a escola, tampouco aprendeu a ler e a escrever. Contudo, guarda livros, revistas, coleções e antiguidades num escritório organizado ao seu jeito.
“Hoje vemos pessoas com síndrome de Down a fazer filmes, a frequentar a faculdade, a namorar, a casar... Na época dele, infelizmente, não havia esse estímulo”, apontou a família.
Quando Neno nasceu, em 1946, a esperança média de vida de uma pessoa com síndrome de Down era de cerca de 12 anos. Hoje, está entre 60 e 65 anos.
Comemoração - Chegar aos 80 anos é um marco para qualquer pessoa e até supera a expectativa de vida média dos brasileiros que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítisca (IBGE)), é de cerca de 76 anos. Para Neno e a família, no entanto, essa conquista é… pic.twitter.com/H8k4dfSsKv
“80 é raro. É um extremo de idade [para alguém com síndrome de Down]. É como chegar aos 100 anos ou mais", indicou o médico Orestes Vicente Forlenza, chefe do Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, que detalhou que o aumento da esperança média de vida está associado ao controlo e à correção de doenças congénitas.
No entanto, no caso de Neno, a família acredita que o estilo de vida também contribuiu para a sua longevidade. Isto porque o idoso gosta de passear, adora dançar e mantém-se ativo. A par disso, tem uma rotina que passa por fazer uma sesta depois de almoço, caminhar até à padaria, visitar a igreja e ir ao ginásio uma vez por semana.
Apesar de ser “muito simpático”, a comunicação ficou mais difícil depois de sofrer um AVC. “Existe outro tipo de comunicação. Às vezes, pelo olhar, eu sei como é que ele está, o que ele quer”, contou uma familiar.
Acima de tudo, quem convive com Neno concorda que a sua característica mais marcante é a alegria que transmite.
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