Empresa israelita suspeita de usar anúncios online para espiar Al Jazeera
Uma investigação sugere que uma infraestrutura israelita criada para apresentar anúncios personalizados poderá ter sido utilizada para identificar pessoas e facilitar a instalação secreta de spyware nos dispositivos da Al Jazeera.
Uma investigação do Citizen Lab, um centro de investigação em cibersegurança da Universidade de Toronto, acusa a empresa israelita de publicidade digital Discover-Tech de facilitar a distribuição de software de espionagem (spyware) através de anúncios online.
Segundo os investigadores, esta operação terá permitido atacar pelo menos 45 dispositivos associados à estação televisiva Al Jazeera, sem que as vítimas tivessem de clicar em qualquer anúncio ou ligação suspeita.
A empresa, segundo diz o The Guardian , utiliza uma plataforma denominada Controlium, que poderá recolher informações sobre os utilizadores da Internet, incluindo os seus endereços IP e dados que permitem identificar os seus dispositivos.
Através destas informações, os clientes da plataforma poderão selecionar pessoas específicas como alvos e recorrer a empresas terceiras de spyware para tentar infetar os seus equipamentos.
Esta técnica, conhecida como zero-click, permite instalar software malicioso sem qualquer interação da vítima, podendo o processo ocorrer em poucos segundos e sem sinais evidentes de que o dispositivo foi comprometido.
De acordo com o Citizen Lab, o spyware utilizado nestas operações pode permitir o acesso a mensagens, fotografias e emails, a gravação de chamadas telefónicas e a ativação secreta do microfone dos dispositivos.
Os alvos das empresas envolvidas poderão incluir jornalistas, funcionários governamentais, empresários, ativistas, académicos e trabalhadores de embaixadas.
Os investigadores afirmam que os anúncios da Discover-Tech terão chegado a milhões de utilizadores em todo o mundo desde 2024, através de uma rede que poderá abranger cerca de 200 mil sites e aplicações.
Entre os países identificados estão o Iémen, o Brasil, o México e a Chéquia.
Uma investigação paralela do grupo Confiant sugere ainda que anúncios associados à empresa terão sido apresentados a utilizadores de redes de instituições governamentais europeias e norte-americanas, bem como da ONU, da NATO e do Tribunal Penal Internacional.
No entanto, não há confirmação de que todas estas instituições tenham sido vítimas de ataques informáticos bem-sucedidos.
A grande preocupação é a segurança da publicidade digital, uma vez que os dados dos utilizadores são usados em leilões automáticos para definir os anúncios que lhes são apresentados.Segundo os investigadores, este sistema poderá estar a ser explorado para identificar alvos específicos e facilitar operações de vigilância e espionagem.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em 24.sapo.pt — o conteúdo pertence a SAPO24.