Ceuta dá 30 dias a Sánchez para resolver crise migratória
O presidente de Ceuta, Juan Vivas, acusou esta segunda-feira o Governo espanhol de manter uma “passividade quase absoluta” perante a crise migratória que se vive na cidade autónoma e ameaçou recorrer às instâncias judiciais se a situação não mudar nos próximos 30 dias.
Vivas acusou o Governo de Pedro Sánchez de ter tentado “ maquilhar a realidade ” ao afirmar, no início de agosto, que a cidade tinha recuperado a normalidade após a entrada em massa de migrantes no dia 31 de julho . “Depois, houve uma passividade quase absoluta na hora de tomar decisões para chegar à normalidade. Não é nenhum exagero, nem existe qualquer intenção de alarmar de forma intencional, injustificada ou indevida”, explicou.
O presidente da cidade autónoma sugeriu ainda que poderá existir uma intenção do Governo central de não restabelecer a situação anterior “até à queda definitiva [de Ceuta]”, acrescentando: “ Espero que não seja esta a razão “.
“ Os cidadãos de Ceuta não se vão render . O Governo é uma parte muito importante do Estado, mas não é todo o Estado. Temos a firme determinação de continuar a insistir com outras instâncias públicas e com a sociedade espanhola. Vamos recorrer a outras instâncias do Estado: Cortes Gerais, poder judicial, comunidades autónomas, federação de municípios e Europa”, avisou, dando ao Governo um prazo máximo de 30 dias para alterar a situação.
Durante a conferência de imprensa, Vivas comentou ainda as declarações da ministra da Saúde, Mónica García, que no domingo tinha pedido ao Governo da cidade que disponibilizasse espaços para acolher os migrantes. O presidente de Ceuta acusou a ministra de tentar “ desviar o foco ” e considerou o seu comportamento “incorreto”.
“Não pode vir dar lições de humanidade. Se há um território onde as pessoas sofrem com o sofrimento dos outros, independentemente da origem da pessoa, é Ceuta e os cidadãos de Ceuta. Lições, nenhuma “, afirmou.
De acordo com fontes do Governo de Ceuta, o executivo central propôs vários locais para instalar temporariamente os migrantes. A autarquia diz que não se opôs a todos os espaços sugeridos, mas rejeita a utilização da Fábrica de Harinas de Otero (propriedade do Ministério da Defesa) para receber migrantes por estar numa zona “central” da cidade e por existirem queixas de moradores.
“Há locais com os quais os moradores não estão de acordo. Devemos pensar nos imigrantes, mas temos de pensar nos cidadãos de Ceuta “, notou Vivas.
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