Ceuta? Sánchez garante que pediu "respostas e ações" a Marrocos
"Pedimos respostas e ações a Marrocos porque para nós é evidente que o seu mecanismo de controlo de fronteiras falhou", disse Sánchez, numa entrevista à cadeia de televisão norte-americana CNN, concedida em Nova Iorque, onde está esta semana para participar na Assembleia-Geral das Nações Unidas.
Sánchez reiterou que Espanha tem tido "uma relação muito positiva" com Marrocos.
"Precisamos de ter uma relação positiva com Marrocos", afirmou, sublinhando que, relativamente a esta crise em Ceuta, é para este país que é preciso repatriar a maioria dos migrantes que continuam na cidade, um enclave espanhol no norte de África.
Sánchez tem afirmado até agora que não há provas de que o ocorrido em Ceuta tenha sido uma ação "desenhada ou executada" por Marrocos, mas admitiu, em 03 de setembro, num debate no parlamento espanhol, que há "dúvidas e perguntas" e garantiu que Espanha agirá "com contundência" se surgirem essas provas.
No mesmo debate no parlamento, reconheceu pela primeira vez publicamente que a polícia marroquina permitiu a passagem de dezenas de milhares de pessoas até à fronteira com Ceuta em 30 de julho e sublinhou que essa "falta de controlo nas horas centrais" do episódio, assim como outros aspetos, têm de ser esclarecidos e estão a ser investigados.
"Estou consciente das dúvidas, indícios e perguntas que estão no ar", disse então.
Sánchez reconheceu no mesmo dia que "é evidente que depois do ocorrido", a cooperação com Marrocos, país que tem um "papel chave na gestão dos fluxos migratórios" para Espanha, "tem de ser diferente" e têm de ser revistos os "mecanismos de coordenação e alerta" que o Governo tem com o Estado marroquino para "construir garantias adicionais".
Mais de 70.000 pessoas entraram ilegalmente em Ceuta em 30 e 31 de julho e, depois de a maioria ter saído da cidade nas horas e dias imediatos, mais de 10.000 permanecem no enclave, segundo estimativas do Governo espanhol.
Neste momento, estão em locais de acolhimento temporário, identificadas e registadas, com vista à abertura de processos de repatriação ou concessão de asilo, cerca de 6.000 adultos, a que se juntam perto de 2.400 menores de idade, segundo dados atualizados esta semana pelas autoridades.
O executivo calcula que entre as pessoas que continuam por alojar e a dormir nas ruas haja entre 500 e 700 menores de idade não acompanhados por adultos.
O Governo espanhol espera ter lugares para alojamento temporário de todas estas pessoas dentro de "muito poucas semanas" e que "comecem a ser emitidas" as decisões de devolução a Marrocos.
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