A IA e a minha privacidade
Durante mais de uma década, as redes sociais ensinaram marcas, entidades e o próprio Estado a construir perfis detalhados de cada pessoa.
Cada like, cada partilha e cada minuto de atenção tornou-se um dado.
Cada dado tornou-se uma peça de um retrato cada vez mais completo.
Esse processo já levantava questões sérias sobre privacidade.
Mantinha-se, ainda assim, dentro de certos limites técnicos.
A inteligência artificial veio eliminar esses limites.
Aquilo que antes exigia equipas de análise, tempo e cruzamento manual de dados, é hoje feito em segundos, de forma automatizada e a uma escala impossível de replicar por processos humanos.
Um sistema de IA pode analisar simultaneamente a linguagem que usamos, os padrões de comportamento, os horários em que estamos ativos, as imagens que publicamos e até o tom emocional das nossas mensagens.
O resultado não é apenas um perfil de consumo.
É uma reconstrução quase completa de quem somos, do que sentimos e do que provavelmente faremos a seguir.
O problema não está na tecnologia em si, mas em quem a utiliza e em que condições.
Grande parte deste tratamento de informação ocorre fora do alcance de qualquer regulação eficaz.
Empresas de análise de dados, plataformas de terceiros e intermediários pouco visíveis operam num espaço cinzento.
A legislação existente foi pensada para um mundo mais lento e menos automatizado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.