Guterres condena ataque russo contra Kyiv e pede desescalada urgente
Em conferência de imprensa, o porta-voz de Guterres afirmou que o líder das Nações Unidas "condena fortemente o ataque" que matou e feriu dezenas de civis e causou extensos danos a infraestruturas residenciais.
"Este é mais um exemplo trágico do padrão alarmante de escalada de ataques contra áreas povoadas. Posso afirmar que o secretário-geral continua profundamente preocupado com a contínua escalada deste conflito, incluindo em território da Federação Russa", disse Stéphane Dujarric, na sede da ONU, em Nova Iorque.
O autarca de Kiev, Vitali Klitschko, elevou o número de mortos para 17 e o de feridos para 41 nos ataques lançados hoje pelas Forças Armadas Russas contra a capital ucraniana, que nas últimas semanas tem sido alvo de uma das ondas de ataques mais intensas desde o início da invasão em fevereiro de 2022.
Em 21 de agosto será dia de luto em Kiev em memória das vítimas, decretou o autarca.
Os ataques causaram incêndios, que já foram extintos, e danificaram prédios residenciais, um centro médico infantil e uma escola em Solomianski, disse Klitschko.
Guterres recordou hoje que os ataques contra civis e infraestruturas civis "são uma clara violação do direito internacional humanitário, onde quer que ocorram", e devem cessar imediatamente.
"O secretário-geral reitera o seu apelo a uma desescalada urgente, que conduza a um cessar-fogo total, imediato e incondicional e a uma paz justa, sustentável e abrangente, em conformidade com o direito internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas e todas as resoluções relevantes das Nações Unidas", disse Dujarric.
Já o subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, permanece em Kiev e disse estar impressionado com mais uma noite mortal para os civis, com casas, hospitais e uma escola atingidos por ataques aéreos russos.
"O número contínuo de vítimas civis deveria indignar-nos a todos", afirmou.
Em Kiev, Fletcher reuniu-se hoje com altos funcionários ucranianos, incluindo Andrii Sybiha, ministro dos Negócios Estrangeiros, a quem dirigiu condolências pelos ataques.
Na sequência dos ataques, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que a onda de ataques russos foi preparada "há muito tempo" e envolveu uma combinação significativa de diferentes tipos de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones, "com o objetivo de causar o maior dano possível nas infraestruturas civis".
"Há destruição em Kiev e na região circundante, bem como nas regiões de Odessa e Chernihiv", lamentou Zelensky numa publicação nas redes sociais, na qual compartilhou imagens das consequências dos bombardeamentos.
"Infelizmente, enquanto Moscovo investe em mísseis balísticos e na escalada do conflito, esses ataques nem sempre recebem a resposta que merecem do mundo", acrescentou.
O líder ucraniano elevou nos últimos meses o tom das queixas sobre o que considera uma resposta insuficiente dos seus parceiros no fornecimento de armas e equipamentos necessários para repelir o aumento dos ataques russos ao seu país.
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