FMI só vê mais 30 países no mundo com saldo orçamental superior a Portugal
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um saldo orçamental equilibrado em Portugal neste ano e no próximo, depois do excedente de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) registado em 2025.
Valores que colocam o país, em 2027, em 31.º lugar entre os 190.º para os quais a instituição apresenta projeções.
Os valores constam da base de dados do FMI atualizada no âmbito das reuniões do Fundo e do Banco Mundial, que arrancaram na segunda-feira e decorrem até ao dia 18 de outubro na Tailândia.
As previsões da instituição liderada por Kristalina Georgieva ficam genericamente em linha com as inscritas pelo Governo na proposta do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), embora os cálculos tenham sido fechados antes da entrega do documento pelo Governo no Parlamento na semana passada.
Na proposta orçamental, o Ministério das Finanças estima um saldo nulo para este ano e um ligeiro excedente de 0,1% no próximo.
Sarmento espera saldo 0% em 2026 e excedente de 0,1% em 2027 Ler Mais Nos cálculos dos técnicos do Fundo, apenas 30 países terão uma posição orçamental superior à de Portugal no próximo ano.
O ranking é liderado pelo Kuwait, Noruega e pela República de Naoer , com uma projeção de um excedente orçamental de 22,9%, 11,3% e 10,2%, respetivamente.
Entre os países da Zona Euro, destacam-se ainda os rácios previstos para o Chipre (2,6%) e para a Irlanda (1,4%).
A par de Portugal, o Fundo projeta um saldo equilibrado em 2027 também para a Dinamarca, Granada, Papua Nova Guiné, San Marino e Iémen.
No extremo oposto, encontram-se Timor Leste, a Líbia e Quiribati, com um défice previsto de 54%, 23,6% e 15,1%.
Fonte: FMI Paralelamente, o FMI aponta para uma redução da dívida pública portuguesa para 85,1% do PIB este ano face aos 89,7% registado no ano passado , validando assim o inscrito pelo Governo no OE2027.
Porém, a instituição mostra-se mais otimista do que o Governo para o próximo ano, para o qual prevê um novo decréscimo para 81%, contra os 84,5% esperados pelo Terreiro do Paço.
Apesar do otimismo para o próximo, as projeções do FMI colocam, ainda assim, Portugal como o 38º Estado com o rácio mais elevado , com o Sudão, o Japão e Singapura a apresentarem o maior peso da dívida a nível mundial ao situar-se em 274,1%, 196,4% e 167,1%, respetivamente, e Liechtenstein, Brunei e Naoero os menores (1,6%, 1,4% e 0,5%, respetivamente).
Com a atualização das “Previsões Económicas Mundiais” (WEO na sigla em inglês), o Fundo passou a prever um crescimento da economia portuguesa de 2,1% este ano e de 1,9% no próximo , abaixo dos 2,3% e 2,1%, respetivamente, inscritos no OE2027, e uma taxa de inflação de 3,2% em 2026 e de 3% em 2027, acima dos 2,9% e dos 2,3% apontados pelo Ministério das Finanças.
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