Nuno Melo atribui crise na habitação a "descontrolo" da imigração
O ministro da Defesa Nacional e líder do CDS-PP associa a crise da habitação e os protestos pelo direito à mesma a um "descontrolo absoluto" da imigração em Portugal.
Em entrevista ao programa "Hora da Verdade" , da Renascença e Público, Nuno Melo, defende que "há uma razão primeira pela qual a chamada crise na habitação acontece neste momento e com esta intensidade: um descontrolo absoluto dos fluxos migratórios no país nos últimos anos" .
"Quando num país como Portugal entram de repente um milhão de pessoas, estamos a falar de um milhão de pessoas que precisam de casas, não de um milhão de casas nas quais essas pessoas vão habitar", salienta o centrista, evidenciando que "quando um milhão de pessoas entra em Portugal de forma descontrolada, quem conhece as regras básicas da economia de mercado, da oferta e da procura sabe que, aumentando a procura e diminuindo a oferta, tendencialmente os preços sobem".
Na mesma senda, Nuno Melo diz que "quase todas as vezes" que ligou a televisão, nos últimos dias, "quem aparecia de porta-voz de movimentos era alguém que não tinha nascido em Portugal, falava com sotaque brasileiro, falava com sotaques de outras paragens" .
O que mostra, segundo o governante, "uma de duas coisas: ou a relação que é, de facto, direta entre esse descontrolo e as manifestações, ou uma instrumentalização que, em muitos casos, vem também de fora e que tenta potenciar o que, felizmente em Portugal, para já, não tem vingado".
Para Nuno Melo, a imigração é "a principal razão para o problema presente, tendo em conta medidas transversais muito relevantes que o Governo também foi lançando para atacar o problema, mas que naquela relação que é de causa e efeito levam o seu tempo".
Ou seja, "o poder político tem de dar atenção [a este problema] e este Governo tem dado toda a atenção".
Manifestações pela habitação são "legítimas", mas...
Por sua vez, o ministro do CDS-PP considera as "manifestações legítimas" e assegura que tem "toda a compreensão" para quem se manifesta, mas realça que "coisa diferente é a violação de regras básicas do Estado de Direito".
Nuno Melo admite assim não ter "nenhuma [compreensão] em relação a quem pretende não outra coisa que não seja a perturbação da ordem pública, destruindo património e em muitos casos instrumentalizada por movimentos extremistas, mas sendo que não tem a ver com Portugal".
Recorde-se que as declarações de Nuno Melo foram feitas menos de 24 horas depois de a Polícia de Segurança Pública (PSP) ter desmantelado o acampamento de protesto pela crise na habitação no Rossio, em Lisboa, numa intervenção em que deteve 55 pessoas, e de ter convencido os manifestantes da Praça de D.
João I, no Porto, a retirarem as tendas.
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