Censura. PCP critica Chega e reserva sentido de voto
“Nós estamos a apurar [o sentido de voto], estamos em apuramento”, declarou o dirigente do PCP Vladimiro Vale aos jornalistas, na sede nacional deste partido, em Lisboa, referindo, inicialmente, que “estarão todas as opções em aberto”.
Logo de seguida, questionado se o PCP admite votar a favor da moção de censura anunciada esta quarta-feira pelo Chega, Vladimiro Vale deu a entender que essa posição está excluída: “ Não tem sido essa a nossa prática. Temos mantido alguma barreira desse ponto de vista”.
“Portanto, esta minha afirmação acaba por reduzir de alguma forma as opções. Estamos em avaliação”, acrescentou.
Em nome do seu partido, o dirigente do PCP considerou que “os factos que envolvem o ministro da Administração Interna exigem esclarecimentos que até ao momento não foram prestados” e que “o Governo PSD/CDS-PP e a sua política merecem toda a censura”.
Porém, para o PCP, “o Chega não quer esclarecimentos, quer mais espaço para malabarismos políticos” e “esta moção de censura serve sobretudo para disfarçar a convergência do Chega com as opções políticas e ideológicas do Governo PSD/CDS-PP”.
Vladimiro Vale ressalvou que o seu partido defende que “o Governo PSD/CDS-PP e a sua política merecem toda a censura”, porque “tem levado uma política antipopular, responsável pelo agravamento das condições de vida dos trabalhadores e do povo, da degradação dos serviços públicos”.
“Pelas crescentes dificuldades no acesso à habitação, pela intenção de privatização até da Segurança Social, das empresas e setores estratégicos, pelo favorecimento de grupos económicos”, completou.
Contudo, segundo o dirigente do Secretariado do Comité Central do PCP, “no fundamental, estas políticas correspondem ao posicionamento político e ideológico do partido Chega, independentemente de malabarismos políticos ou de sentidos de voto que em determinadas alturas e circunstâncias assume”.
“A nossa garantia é que o PCP continuará a intervir para enfrentar e derrotar esta política e este Governo, que tem contado sobretudo com o apoio do Chega e da Iniciativa Liberal, mas também com alguma conivência do PS”, afirmou.
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