Venezuela. Organizações temem ter menos ajuda humanitária internacional
Voluntários, organizações não governamentais e instituições que atendem os afetados alertam que à medida que a tragédia deixa de ser destaque na imprensa internacional, o apoio e os recursos de emergência podem reduzir-se, apesar de muitas famílias continuarem sem abrigo, sem cuidados médicos adequados e sem condições básicas para sobreviver.
"A situação no terreno continua a ser complicada. O apoio diminuiu, mas continuamos a ter o mesmo número de pessoas a precisar de ajuda: todas as pessoas afetadas, grávidas, crianças e idosos que se encontram sozinhos na zona e que dependem da ajuda de todos nós", disse um voluntário à Lusa.
Jonathan Molina, do grupo espanhol Eir Tactical Global Med & Ops, admitiu que "infelizmente, a novidade já passou, as câmaras [da imprensa] já partiram e ficaram as pessoas que realmente precisam de ajuda".
"E como isto não se torna viral, a ajuda diminuiu imenso. Uma das coisas que pedimos à imprensa internacional é que continue a informar. Sabemos que os desabamentos já aconteceram, que as pessoas nos escombros já não são o pão nosso de cada dia, mas há milhares e milhares de pessoas afetadas em abrigos", disse.
"Há momentos em que pensamos que a situação vai melhorar, mas começaram as chuvas e há acampamentos que foram afetados, pessoas que perderam novamente o pouco que tinham conseguido recuperar, ou seja, pelo que tenho visto, será bastante demorado", acrescentou.
A médico especialista em neurodesenvolvimento infantil e voluntária da Cruz Vermelha Internacional Sara Zafra lamentou também que a situação na Venezuela esteja a deixar de ser notícia.
"A Venezuela está a deixar de ser tendência e, por isso, estamos a trabalhar, mesmo com o que temos, para continuar a dar visibilidade e mostrar ao mundo o que realmente acontece em La Guaira", disse.
Explicou ainda que desde o terramoto, a Cruz Vermelha Internacional resgatou 122 pessoas com vida, 60 delas com lesões graves, e fez cirurgias de emergência, como amputações e traqueotomias.
"Sou natural de La Guaira, sou sobrevivente do duplo terramoto. Perdi muitos familiares e, por isso, estou a prestar serviço, a ajudar as fundações a apoiarem as pessoas que foram vítimas do terramoto e que precisam da nossa colaboração", disse.
Como "especialista em catástrofes", estimou que a emergência dure ainda aproximadamente 8 meses.
"Consideramos que ainda estamos em situação de emergência, uma vez que ainda há pessoas a viver em tendas, que não fazem as três refeições por dia, e que não conseguem tomar banho todos os dias. Isso representa um problema de saúde pública e, por isso, classificamos a situação como uma emergência sanitária. Estamos a elaborar protocolos sanitários e epidemiológicos para evitar a propagação da varíola, da sarna e de outras doenças", disse.
Hernando Guerrero, do Grupo de Resgate Carabobo, vê com bons olhos "uma campanha para lembrar às pessoas que a Venezuela ainda precisa de ajuda".
"Infelizmente, quando a emergência ocorreu, muitas comunidades se mobilizaram para ajudar a Venezuela, mas depois, com o passar do tempo, a intensidade foi diminuindo; no entanto, La Guaira ainda precisa de nós, a Venezuela ainda precisa de nós.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.noticiasaominuto.com — o conteúdo pertence a Notícias ao Minuto - Mundo.