Arábia Saudita encerra oleoduto que transporta 5% do crude mundial após ataque de drones lançado a partir do Iraque
A Arábia Saudita suspendeu temporariamente as operações de um dos mais importantes oleodutos do país na sequência de um ataque coordenado com drones disparados a partir do território iraquiano.
O encerramento preventivo foi confirmado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros saudita esta sexta-feira, após imagens de satélite do sistema Copernicus Sentinel-3 revelarem colunas de fumo junto ao traçado da infraestrutura. Segundo a diplomacia de Riade, o ataque provocou feridos e danos materiais que continuam sob avaliação técnica.
Com uma extensão aproximada de 1.200 quilómetros, este oleoduto é considerado crítico para o maior exportador mundial de petróleo, permitindo transportar hidrocarbonetos do Golfo Pérsico diretamente para os terminais do Mar Vermelho e contornar, dessa forma, a passagem militarmente vulnerável do Estreito de Ormuz. De acordo com estimativas de analistas e consultoras de tráfego marítimo citadas pela Reuters, a estrutura assegura a circulação de 4% a 5% da oferta global de petróleo.
Após o impacto, o governo iraquiano admitiu publicamente que as aeronaves não tripuladas partiram da província de Maysan, no sul do país, uma região fronteiriça com o Irão. Em resposta imediata, o gabinete do primeiro-ministro do Iraque determinou a exoneração do comandante das operações militares locais e a abertura de um inquérito.
A confirmação da origem do ataque motivou contactos diretos de alto nível entre as duas capitais. Após uma chamada telefónica do chefe de governo iraquiano, Riade decidiu, para já, abdicar de ações retaliatórias. Em comunicado oficial, as autoridades sauditas afirmaram que apoiam "os esforços do governo do Iraque para impedir ataques lançados a partir do seu país contra Estados vizinhos".
Ainda assim, o Ministério dos Negócios Estrangeiros saudita deixou um aviso quanto a futuras respostas militares: "O Reino da Arábia Saudita afirma que reserva o direito de tomar todas as medidas necessárias para salvaguardar a sua soberania e segurança, proteger as suas instalações e garantir a segurança dos seus cidadãos e residentes."
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