Espanha em alerta para nova tentativa de entrada em Ceuta esta quarta-feira
Em plena crise migratória entre Marrocos e Espanha, a embaixada espanhola em Rabat lançou uma campanha para desencorajar as tentativas de entrada irregular nos enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla, perante novos apelos difundidos nas redes sociais para atravessar a fronteira durante o dia das eleições marroquinas, na quarta-feira.
“Entrar irregularmente em Espanha através de Ceuta e Melilla não dá direito a entrar na Península, a permanecer em Espanha nem a circular livremente pelo resto da União Europeia”, indica a conta da Embaixada de Espanha em Marrocos na rede social X.
“Não se deixe enganar pela desinformação. A recente decisão do Supremo Tribunal esclarece o procedimento aplicável a quem entra por mar. Não altera a Lei de Estrangeiros. Não declara ilegal a rejeição na fronteira. Não impede o retorno”, prossegue a campanha, também divulgada nas contas dos diferentes consulados espanhóis no país magrebino.
A iniciativa coincide com apelos surgidos nas redes sociais para uma nova entrada irregular em Ceuta no próximo dia 23, coincidindo com as eleições legislativas em Marrocos.
As redes sociais tiveram um papel fundamental na crise migratória desencadeada em Ceuta pela maior entrada em massa na sua fronteira, de mais de 70.000 pessoas, no passado dia 30 de julho.
Embora a maioria dos migrantes irregulares tenha regressado a Marrocos, milhares continuam na cidade espanhola, na sua maioria jovens.
A crise, que agravou as relações entre Madrid e Rabat, provocou pelo menos 140 mortos, segundo organizações da sociedade civil.
Na semana passada, Marrocos realizou um exercício militar na fronteira entre Fnideq (Castillejos) e Ceuta, com a participação de centenas de efetivos.
Durante o fim de semana, foram divulgadas nas redes sociais imagens de centenas de migrantes, na sua maioria subsarianos, em zonas próximas da passagem fronteiriça com Ceuta.
Em Espanha, esta crise domina a agenda política e deu origem a um amplo debate institucional. A Audiência Nacional investiga se existiu uma possível “gestão favorável” por parte de Rabat.
Em Marrocos, a reação institucional e política foi limitada. As autoridades demoraram quatro dias a pronunciar-se para rejeitar qualquer responsabilidade na crise.
“O tema é de elevada sensibilidade e complexidade”, explica à EFE Said Saddiki, professor de Relações Internacionais da Universidade de Fez, devido às relações de interdependência com Espanha, por um lado, e ao peso que a reivindicação territorial das duas cidades espanholas de Ceuta e Melilla tem para Marrocos, por outro.
Não é a primeira vez que a migração irregular para Ceuta desencadeia uma crise entre Madrid e Rabat. Em 2021, cerca de 10.000 pessoas atravessaram irregularmente para a cidade espanhola.
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