Como Trump domou os falcões anti-China e se aproximou de Xi
Nova Iorque, 2015. Na cidade em que nasceu e em que se tornou milionário, Donald Trump anunciava a intenção de se candidatar às presidenciais no ano seguinte. Nessa ocasião, afirmou que, apesar de todas as críticas que já fazia ao país, “amava a China”. “Eu acabei de vender um apartamento por 15 milhões de dólares a alguém da China. Devo não gostar deles? Eu amo a China. Mas eles estão a destruir-nos. Estamos a reconstruir a China”, referiu. Quando chegou à presidência dois anos depois, enquanto chefe de Estado adotou uma retórica bastante firme contra Pequim. No início da pandemia, em 2020, o Presidente norte-americano chegou mesmo a designar a Covid-19 como “o vírus chinês” e acusou o regime de espalhar a doença.
O círculo próximo de Donald Trump também contribuiu para que, no primeiro mandato e até ao início do segundo, a China fosse vista como uma inimiga dos Estados Unidos da América (EUA) e a ser encarada como a maior rival económica e geopolítica de Washington. O crescimento chinês no início deste século tornou o país uma superpotência que quis concorrer diretamente com a hegemonia norte-americana na comunidade internacional. Tendo em conta este contexto, havia muitos dirigentes — especialmente dentro do Partido Republicano — que criticavam duramente a China.
O chefe de Estado refletia muitas destas posições dos seus conselheiros e assessores republicanos. Sendo um líder da direita radical e conservador, o alinhamento com um regime liderado por um Partido Comunista apresentava-se como uma contradição ideológica. Em abril de 2025, Donald Trump deu início a uma nova ronda na guerra comercial contra a China, tal como já tinha acontecido no seu primeiro mandato. No entanto, meses mais tarde, após subidas exponenciais das tarifas de parte a parte, a Casa Branca acabou por assinar uma trégua com Pequim.
Ainda este ano, Donald Trump visitou a China em abril e reuniu-se com o homólogo chinês, num encontro que correu diplomaticamente bem e em que estiveram presentes vários rostos da elite financeira norte-americana, incluindo os diretores-executivos e líderes de empresas como a Apple, a Boeing, a Goldman Sachs e a Tesla (representada por Elon Musk). Agora, até sexta-feira, será Xi Jinping a estar nos Estados Unidos. À margem da Assembleia-Geral das Nações Unidas, os líderes vão encontrar-se, num clima bem menos tenso do que há cinco meses.
Em vez da constante competição e rivalidade, as duas maiores potências económicas mundiais parecem estar a construir pontes e a celebrar acordos . Mesmo dentro do Partido Republicano e da Casa Branca, o tom das críticas contra Pequim abrandou substancialmente. Nem a questão de Taiwan — a ilha que poderia desencadear um confronto direto entre os dois países — parece ser um grande obstáculo.
Marco Rubio é um homem que despreza regimes comunistas que lhe fazem lembrar Cuba. O secretário de Estado, enquanto senador, defendeu a aplicação de pesadas sanções à China, país que retaliou e o colocou numa lista em que não podia pisar solo chinês.
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