SADC: É preciso gestão antecipada dos riscos climáticos na África austral
A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) apelou hoje, em Maputo, ao reforço dos investimentos na prevenção de desastres, defendendo que a região deve passar da resposta a emergências para uma gestão antecipada dos riscos climáticos.
Na abertura da Conferência Africana sobre Redução do Risco de Desastres, a secretária executiva-adjunta para os Assuntos Corporativos do Secretariado da SADC, Judith Kateera, considerou que a África austral enfrenta ameaças crescentes associadas a secas, cheias, ciclones tropicais e outros fenómenos extremos alertou afetam populações, infraestruturas e economias.
"As consequências devastadoras das catástrofes recentes sublinham a urgência de passar do compromisso político à ação concreta", afirmou a responsável, em representação do secretário executivo da SADC, Elias Magosi, numa conferência que reúne cerca de 500 participantes, de vários países africanos, e do Presidente moçambicano, Daniel Chapo.
Kateera defendeu uma mudança de paradigma na abordagem aos desastres naturais, sustentando que os governos devem apostar mais na prevenção do que na resposta a crises já instaladas.
"Temos de passar urgentemente da resposta a catástrofes para a gestão do risco e a salvaguarda dos ganhos em matéria de desenvolvimento", afirmou.
Segundo a responsável, a região continua demasiado dependente de mecanismos financeiros destinados à resposta e recuperação pós-desastre, em detrimento de investimentos orientados para a redução dos riscos antes da ocorrência dos fenómenos extremos.
"Atualmente, a maior parte do financiamento destinado a catástrofes centra-se na resposta e recuperação após os eventos, em vez de se centrar na prevenção e redução do risco de catástrofes", declarou.
Neste contexto, Judith Kateera destacou a criação do Fundo de Desenvolvimento Regional da SADC, concebido para mobilizar recursos destinados à gestão do risco de desastres e ao reforço da resiliência na região.
A responsável assinalou, contudo, que o mecanismo ainda não reuniu todas as ratificações necessárias para entrar plenamente em vigor, apelando aos Estados-membros para concluírem o processo.
A dirigente da SADC defendeu igualmente um aumento dos investimentos em infraestruturas resilientes, sistemas de controlo de cheias, proteção costeira, agricultura resistente à seca, sistemas de irrigação e recuperação de ecossistemas, numa altura em que a região se prepara para os efeitos do próximo El Niño, que ameaça ser o mais grave dos últimos 50 anos.
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