Cartaxo Alves desvaloriza oferta de carta de condução para recrutar jovens
"A cho que isso [oferecer a carta de condução] não são soluções. Não é com pequenas ofertas que vai diferenciar as Forças Armadas. E os jovens têm que vir porque se sentem atraídos por uma carreira diferenciada, completamente diferente das outras, mas que tem um propósito", realçou o general João Cartaxo Alves, em entrevista à agência Lusa.
Em causa está a criação de um programa cívico-militar proposto pelos partidos que suportam o Governo (PSD e CDS-PP) em maio, que visava atrair jovens entre os 18 e os 23 anos para as Forças Armadas. O programa teria uma duração de três a seis semanas e permitiria aos jovens que o concluíssem uma retribuição de cerca de 400 euros e a "possibilidade de obtenção gratuita da carta de condução, em estabelecimentos militares habilitados".
O projeto foi aprovado no parlamento em maio, mas não tem força de lei, constituindo-se como uma recomendação ao Governo.
Questionado sobre a ideia, o general Cartaxo Alves desvalorizou este tipo de oferta como forma de atrair mais jovens: "Quem quiser servir o seu país, quem quiser ter uma vida com um propósito, aí sim encontrará nas Forças Armadas algo superior a ele mesmo".
A prioridade, de acordo com o CEMGFA, não está no recrutamento de militares mas sim na retenção. Cartaxo Alves alertou que, até pelo atual contexto internacional, Portugal não pode estar constantemente a formar militares que após seis anos (duração do regime de contrato) acabam por abandonar as fileiras.
Cartaxo Alves salientou que a formação de um militar atualmente é mais demorada face às evoluções tecnológicas e que os ramos têm que trabalhar para "reter esse talento".
O general apontou para melhorias nas condições de habitação ou no acesso à saúde militar como fatores que podem ajudar neste objetivo.
Interrogado sobre se já é possível dizer que as Forças Armadas estão a inverter a tendência de queda no número de militares, o general Cartaxo Alves foi cauteloso: "Estamos numa fase de transição".
"Não estamos ainda onde queremos estar, com os objetivos que definimos, estamos sim nesse caminho [de aumento]", acrescentou, com o número de militares a rondar os 24 mil. O Governo estabeleceu como objetivo chegar aos 31 mil até 2029.
Já sobre se uma nova lei de efetivos poderia ser útil, como é proposto pelo PS no parlamento, o general respondeu que depende do conteúdo dessa lei, salientando que o Governo já emite um decreto que autoriza a contratação de efetivos.
Atualmente, de acordo com o CEMGFA, Portugal tem entre 1.100 a 1.200 militares portugueses no estrangeiro, em cerca de 40 missões, número que tem aumentado devido ao contexto internacional.
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