Ruanda vai receber o primeiro Grande Prémio de F1 em África desde 1993, mas ativistas não concordam
A Ruanda assinou um acordo de dez anos com a Fórmula 1 para receber corridas a partir do início da década de 2030, naquele que será o primeiro Grande Prémio em África desde 1993.
Contudo, organizações de direitos humanos acusam a Ruanda de “sportswashing”.
A prova, que se chamará Grande Prémio de África, disputar-se-á num circuito construído de raiz em Bugesera, a cerca de 40 km a sul de Kigali e junto ao novo aeroporto internacional, segundo a BBC .
A pista foi desenhado pelo antigo piloto Alex Wurz e pretende ser rápida e fluida, aproveitando os desníveis naturais da paisagem montanhosa do país.
A data da corrida ainda não está definida, mas a F1 deverá evitar a principal época das chuvas, entre março e maio, e continua comprometida com um máximo de 24 provas por temporada.
Para a F1, o acordo é uma forma de ganhar presença num continente pouco explorado e de passar a correr em todos os continentes habitados, algo que Stefano Domenicali classificou como um “momento histórico”.
O Presidente Paul Kagame fala em empregos, competências, turismo e novos negócios, insiste que o objetivo nunca foi um único fim de semana de corridas, mas um benefício duradouro, e lembra os mais de 100 milhões de fãs africanos, muitos deles jovens que merecem ver o desporto em casa.
A África do Sul, que acolheu a F1 até 1993 em Kyalami, chegou a negociar um regresso, incluindo a hipótese de Cape Town, mas sem sucesso.
Porém, espera-se que a corrida provoque oposição de organizações de direitos humanos, que acusam a Ruanda de sportswashing , ou seja, de usar o desporto para melhorar a imagem internacional e desviar a atenção de questões políticas e de direitos humanos.
A mesma acusação já foi feita ao programa “Visit Rwanda”, que patrocina os clubes de futebol Arsenal e Aston Villa.
Acontece que a vizinha República Democrática do Congo apresentou uma queixa contra a Ruanda no Tribunal Internacional de Justiça, acusando-a de violar tratados internacionais sobre prevenção do genocídio, discriminação racial, direitos das mulheres e tortura.
A F1 responde que pode levar a paixão da modalidade a 100 milhões de pessoas e que o desporto pode ser uma força positiva, numa discussão em que os críticos veem branqueamento de imagem e os defensores veem desenvolvimento, visibilidade e inspiração para os jovens africanos.
Já em março, Lewis Hamilton tinha dito que não quer deixar a F1 sem correr num Grande Prémio em África, algo por que diz lutar “nos bastidores” há seis ou sete anos.
Por ser meio africano, diz que seria “incrível”.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em 24.sapo.pt — o conteúdo pertence a SAPO24.