Para quando uma Estratégia Nacional para a Inovação?
O SIFIDE indireto foi, durante anos, um dos principais motores de captação de capital privado para o ecossistema de capital de risco em Portugal .
A sua extinção, aprovada em Conselho de Ministros, era esperada após a autorização legislativa concedida pela Assembleia da República .
Compreende-se a necessidade de respeitar os compromissos de redução dos benefícios fiscais assumidos por Portugal perante a Comissão Europeia, mas decisões desta importância exigem ser tomadas com uma base factual robusta e analisadas as suas consequências.
E, neste caso, essa avaliação ficou muito aquém do desejável.
Uma leitura errada sobre o desfasamento temporal entre a atribuição do benefício fiscal e a aplicação dos capitais em atividades de I&D ignora uma realidade fundamental do capital de risco: investir exige tempo.
A tomada de decisões implica análise criteriosa, diversificação de carteiras e uma perspetiva de longo prazo.
Esperar resultados imediatos de um instrumento concebido para financiar inovação e crescimento empresarial sustentável comprometeria precisamente os objetivos para os quais foi criado.
SIFIDE via fundos acaba, mas Governo cria regime transitório Ler Mais Os dados mais recentes demonstram que o capital alegadamente “parqueado” em fundos “SIFIDE” (no valor de mil milhões de euros no final de 2024) estava efetivamente a ser colocado na economia – e é preciso recordar que o período normal de investimento de um fundo de capital de risco se situa entre os três e os cinco anos.
Um estudo realizado pela Investors Portugal, em fevereiro de 2026, junto das sociedades gestoras de fundos SIFIDE , indicava já uma redução desse montante para 549 milhões de euros.
Longe de evidenciar ineficiência, estes números mostravam um ecossistema que estava a absorver os recursos disponíveis e que começava, precisamente, a enfrentar um novo desafio: a escassez de financiamento, cujos primeiros sinais já são visíveis.
Segundo o mais recente Barómetro do Investimento em Early Stage, da Investors Portugal , publicado em julho de 2026, 76% dos investidores afirmaram ter realizado menos investimentos e investido montantes inferiores no primeiro semestre de 2026 face ao semestre anterior .
Tal como mostra o estudo do Impacto Económico em Portugal dos Fundos de Capital de Risco e dos Fundos SIFIDE, desenvolvido pela Nova SBE, embora exista um custo inicial para o Estado, esse impacto é temporário, enquanto os benefícios para as empresas e para a economia são permanentes .
Já nos primeiros dois anos, as receitas adicionais provenientes de IVA, IRS, contribuições sociais e IRC ultrapassam o custo do benefício fiscal.
Além disso, o estudo demonstra que cada 100 milhões de euros investidos em capital de risco geram um aumento de 1,01% do PIB ao longo de dez anos .
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